Novas pistas na associação entre sílica e cancro do pulmão

Estudo publicado na “Nature Communications”

06 maio 2015
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Uma equipa de investigadores descobriu uma pista essencial sobre a relação entre a exposição à sílica cristalina e uma forma de cancro do pulmão.
 
A exposição prolongada a grandes quantidades de sílica cristalina causa a silicose, uma doença pulmonar incurável, progressiva e debilitante. A exposição à sílica cristalina, que pode ser encontrada em rochas, areia, barro e pedra, ocorre quando este composto assume a forma de um pó fino que pode ser inalado. As ocupações em que sucede a exposição a este composto incluem trabalhos em pedra, mineração, pedreiras, cerâmica, construção de estradas e de túneis.
 
A silicose continua a progredir mesmo que o indivíduo tenha deixado de estar exposto à sílica cristalina e torna-se impossível expelir as partículas através da tosse. O organismo procura livrar-se das partículas através da produção de macrófagos. No entanto, a sílica cristalina erradica os macrófagos, causando assim inflamação persistente no pulmão que pode conduzir ao desenvolvimento de cancro.
 
Os investigadores da Universidade de Louisville, nos EUA, que conduziram este estudo esperam que a sua descoberta resulte no desenvolvimento mais célere de novos tratamentos para o cancro do pulmão associado à silicose. 
 
Para o estudo, a equipa expôs ratinhos que desenvolviam espontaneamente tumores do pulmão a sílica cristalina e descobriu que aquela exposição fazia acelerar o desenvolvimento dos tumores. O mesmo sucedeu com ratinhos nos quais tinham sido implantados tumores do pulmão humanos.
 
Ao analisarem a biologia subjacente àquele fenómeno descobriram que a exposição à sílica desencadeava a produção de leucotrieno B4 (LTB4), uma molécula que ajuda a regular a inflamação, especialmente nos pulmões. A molécula une-se a um recetor denominado BLT1. Quando foi retirado este recetor dos ratinhos, estes ficaram significativamente mais protegidos do crescimento tumoral alimentado pela exposição à sílica. 
 
A equipa considera este achado relevante para o desenvolvimento de novos tratamentos para a silicose e cancro do pulmão associado àquela doença.
 
“Achamos que este é um passo significativo na nossa perceção sobre como a exposição ambiental altera a forma de progressão do cancro do pulmão. Esperamos que esta nova informação permita um desenvolvimento mais rápido de tratamentos para esta doença atualmente incurável”, afirma Haribabu Bodduluri, docente de microbiologia e imunologia e autor principal deste estudo.
 
A forma respirável da sílica cristalina é considerada carcinogénica por várias entidades como a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro. Contudo, apesar de este composto ser reconhecido como potencial causador de cancro, não tem sido fácil estabelecer uma relação direta entre o cancro do pulmão e a silicose, pois poderão estar outros fatores envolvidos. Por exemplo, as pessoas que estão normalmente expostas ao composto são fumadoras.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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