Novas pílulas podem acarretar maiores riscos de formação de trombos venosos

Pílulas contraceptivas de terceira geração com maior risco de ocorrência de tromboses

19 julho 2001
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Um novo estudo holandês aponta para um aumento da ocorrência de tombos venosos com o uso das mais recentes pílulas, as chamadas pílulas de terceira geração. Os investigadores sugerem que as mulheres devem ter conhecimento deste facto para pesarem com maior consciência os prós e os contras de usar a nova ou velha versão da pílula.
 

 

Tanto as pílulas de segunda como as de terceira geração são compostas por dois tipos de substâncias - um tipo de estrogénio denominado etinilestradiol e mais uma hormona chamada progestina. O tipo de progestina usada distingue os dois tipos de contraceptivos orais: a pílula de segunda geração contem levonorgestrel ou norgestrel enquanto que a mais recente versão contem desogestrel ou gestodene.
 

 

As pílulas de terceira geração foram desenvolvidas para tentar diminuir os efeitos secundários associados à versão anterior como sejam a acne, aumento de peso ou desregulação perigosa dos níveis de colesterol. As novas pílulas têm um efeito nos níveis de colesterol menos acentuado mas isso não significa que sejam menos perigosas, dizem os cientistas que conduziram este estudo.
 

 

A base de trabalho destes investigadores foi rever artigos publicados desde 1995 acerca deste tema para "tirar teimas" quanto aos resultados controversos que diferentes estudos apresentavam. Já se tinha notado, nomeadamente em vários estudos britânicos, uma possível relação entre o consumo destas pílulas e o aumento do risco da ocorrência de tromboses.
 

 

As conclusões desta revisão confirmam uma relação entre estes dois factores.
 

 

As mulheres que tomam a última versão da pílula tinham 1,7 vezes maior probabilidade da ocorrência de trombos venosos em comparação com as mulheres que tomavam a versão mais antiga.
 

 

Apesar do risco da ocorrência destas perturbações ser pequeno e ser mais elevado em mulheres que tomem a pílula pela primeira vez, os investigadores advertem que cabe às mulheres a última escolha, segundo a sua própria condição. Mulheres com maior risco da ocorrência de trombos venosos, como aquelas com antecedentes na família com esta condição, talvez devessem optar pelas pílulas de segunda geração, dizem os cientistas. Mas mulheres que não tenham estes problemas e estejam mais preocupadas com os efeitos secundários que advêm do uso das pílulas antigas talvez devessem tomar as novas pílulas.
 

 

Num artigo de comentário que acompanha a publicação deste estudo na edição de 21 de Julho do British Medical Journal, um médico faz notar que os riscos de morte associada com a gravidez a nível mundial é pelo menos 100 vezes superior em comparação à probabilidade de 2 casos por 10.000 por ano da ocorrência de trombos devido ao uso destas novas pílulas.
 

 

No entanto, os investigadores que conduziram este estudo pensam ser um desafio para a indústria farmacêutica a produção de novas pílulas que não acarretem estes riscos.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters Health
 

 

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