Novas evidências sobre a estrutura física dos priões humanos

A comprovarem-se, poderá ser o início de novas terapias para doenças como a Creutzfeldt-Jacob

28 agosto 2001
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Foi levantado mais um pouco do véu que envolve a estrutura física dos priões humanos normais. Aparentemente, estas proteínas agregam-se aos pares, formando umas estruturas denominadas dímeros.
 

 

Este facto poderá ajudar a explicar o modo como os priões anormais provocam doenças degenerativas como a doença de Creutzfeldt-Jacob – DCJ – que, como se sabe é a variante humana da encefalopatia espongiforme bovina – BSE (vulgarmente conhecida como doença das vacas loucas).
 

 

As primeiras imagens dos priões humanos normais sugeriam que estas moléculas ocorreriam individualmente e este dado não era suficiente para descrever o modo como os priões infecciosos induzem e encorajam a acumulação de alterações na conformação física dos priões normais – explicação mais aceite para a transmissão da BSE aos humanos e desenvolvimento consequente da DJC.
 

 

A recente dedução da estrutura física dos priões humanos foi o resultado da investigação conduzida por Vivien Yee e colaboradores, na Fundação Clínica de Cleveland, Ohio (EUA). Esta equipa aplicou uma técnica conhecida como cristalografia por raio-X que mostrou que pares de priões individuais se envolvem um no outro através de uma estrutura braciforme da sua molécula, formando os dímeros. De acordo com V. Yee, este processo, conhecido como troca tri-dimensional de domínio, poderá ser a causa subjacente à formação de agregados de priões.
 

 

Uma das causas conhecidas da evolução de doenças degenerativas como a DCJ, é a formação de agregados lineares de proteínas priónicas (estas cadeias surgem quando os priões se agregam de forma análoga ao modo como um grupo de pessoas dão as mãos lado-a-lado). De acordo com V. Yee, a formação de dímeros também poderá ser outra causa do desenvolvimento deste tipo de doenças.
 

 

O grupo de trabalho liderado por esta investigadora explica que à medida que os priões entram em processos de troca tri-dimensional de domínio, pode existir um processo paralelo que conduz à formação de agregados moleculares lineares.
 

 

A comprovação desta teoria poderá significar o início do desenvolvimento de medicamentos com maior eficácia no tratamento de doenças degenerativas como a DCJ, pois isso permitirá uma intervenção terapêutica no início do processo físico que conduz à formação dos dímeros e dos agregados priónicos lineares que se pensa serem a origem deste tipo de degenerescência cerebral.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: Nature
 

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