Novas epidemias: as alterações climáticas e a deslocação em massa

Declarações do presidente da Assistência Médica Internacional

19 setembro 2016
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As futuras alterações climáticas e a deslocação em massa de populações vão trazer momentos complicados e novas epidemias, defendeu o presidente da Assistência Médica Internacional (AMI).
 
“Todos nós temos a perfeita noção de que aí veem momentos complicados e que temos de trabalhar em equipas, multidisciplinares, desde organizações não-governamentais às governamentais”, referiu à agência Lusa Fernando Nobre, o presidente da AMI a propósito da 11.ª edição do “Young European Scientist Meeting” (“YES Meeting”) que ocorreu até ontem.
 
O presidente da AMI referiu que o “nível dos desafios” que se prepara para o futuro, seja a nível ambiental com as alterações climáticas, seja a nível de epidemias com a deslocação em massa de populações é de tal ordem que “não há nenhuma organização neste mundo”, nem “nenhum país neste mundo capaz de resolver a questão ‘per si’”, e, por isso, é preciso trabalhar em equipa.
 
“Quando a natureza espirra, todos nós apanhamos uma pneumonia e das valentes”, disse Fernando Nobre. De forma a fazer face a “esse espirro da natureza” tem de haver “boa vontade”, “conhecimento”, “preparação”, mas também, pelo lado dos médicos, há que haver “critérios” para não haver “alarmismos desnecessários”.
 
De acordo com o presidente da AMI, as alterações climáticas vão-nos “interpelar de forma violenta”, porque a saúde é uma situação de “bem-estar global”, ou seja bem-estar físico, psíquico, social, económico e ambiental.
 
“Estamos todos conscientes de que novas epidemias vão surgir” com a deslocação em massa de populações, adiantou Fernando Nobre, informando que se prevê, por exemplo, que só nos próximos 20 a 30 anos “um terço do Bangladesh estará submerso” e que um país que já tem 170 milhões de habitantes, isso significa que vai haver uma deslocação aproximativamente “de 40 milhões de pessoas” só daquele país.
 
Uma das conclusões de um dos debates ocorridos ao longo da conferência foi que de futuro, tanto do lado do jornalistas, como médicos, terá de haver um aumento de conhecimento, tanto na área da especialização em saúde por parte dos jornalistas, como haver também conhecimentos na área da comunicação da parte dos médicos.
 
“Para comunicar aspetos de ciência e medicina é preciso confiar em alguns jornalistas, porque a Internet está fora de controlo com algumas páginas que não são credíveis”, referiu um dos convidados da OMS.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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