Novas descobertas sobre os mecanismos cerebrais envolvidos na tomada de decisão

Estudo publicado no “Nature Neuroscience”

27 maio 2016
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Um estudo realizado em macacos revelou que determinados neurónios atribuem valores a opções, enquanto outros se encontram relacionados com as escolhas finais. Os resultados deste estudo foram publicados na revista científica “Nature Neurosciences”.
 

Todos os dias deparamo-nos com a necessidade de tomar decisões, sejam elas relacionadas com comida, roupa ou até mesmo entre ver televisão ou ler um livro. Sendo que esta tomada de decisão ocorre numa determinada parte do cérebro, como é que um número limitado de células cerebrais consegue realizar um número ilimitado de escolhas?
 

De acordo com Camillo Padoa-Schioppa, cientista na Escola de Medicina da Universidade de Washington, e líder da investigação, há diferentes áreas do cérebro onde atribuímos determinado valor às opções e outras onde é tomada a decisão em relação à escolha. “Tomados em conjunto, estes grupos distintos de células parecem formar um circuito neural que gera decisões económicas”, esclarece o cientista em comunicado da universidade.
 

Para este estudo, os cientistas analisaram de que forma este circuito neural se reorganiza quando são tomadas decisões em circunstâncias distintas.
 

Para tal utilizaram macacos e doze sumos de fruta diferentes. Em cada sessão de prova os animais tinham de optar por uma de duas bebidas distintas.
 

“Um animal poderia optar entre um sumo de uva e um sumo de maçã e alguns neurónios representariam o valor do sumo de uva”, explicou Jue Xie, primeiro autor do estudo. “Mais tarde, o animal poderia escolher entre ponche de kiwi e sumo de pêssego, e os mesmos neurónios que tinham anteriormente atribuído valor ao sumo de uva iriam subsequentemente atribuir um valor ao ponche de kiwi”, adianta. “Isto significa que não existe uma célula do sumo de uva ou do sumo de maçã. Os neurónios associam-se a uma das opções disponíveis a qualquer momento”, revela Xie.
 

De acordo com Padoa-Schioppa, enquanto determinadas células, localizadas no córtex orbitofrontal, são responsáveis por atribuir um valor a uma opção, outras células distintas encontram-se associadas à tomada de decisão final.
 

“Os neurónios que atribuem valor a opções individuais são denominados células de oferta-valor. Mas se estivermos a escolher entre comidas diferentes, uma célula de oferta-valor poderá representar o valor de frango assado, enquanto se estivermos a escolher entre investimentos financeiros distintos, a mesma célula de oferta-valor poderá representar o valor de um fundo mutualista”, afirma Padoa-Schioppa.
 

Apesar de os neurónios individuais terem a capacidade de renovar o mapeamento da atribuição de valor de acordo com as opções, a organização geral do circuito neural mantém-se estável, afirmam os cientistas.
 

“As células de oferta-valor representaram sempre o valor de uma das opções, enquanto os neurónios que representam o resultado da escolha representaram sempre o resultado da escolha, independentemente dos sumos de fruta envolvidos na decisão”, de acordo com Xie.
 

Os investigadores notaram ainda que dois neurónios associados ao mesmo sumo de fruta no primeiro grupo de decisões dos macacos se encontravam igualmente associados ao mesmo sumo de fruta no segundo grupo de escolhas.
 

“Se olharmos para as células individuais, os neurónios são muito flexíveis”, afirma Padoa-Schioppa. “Mas se considerarmos toda a estrutura, o circuito de decisão é admiravelmente estável. Esta combinação de estabilidade do circuito e da flexibilidade neuronal possibilita que a mesma região cerebral gere decisões entre duas opções”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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