Novas descobertas sobre o mecanismo do sono

Estudo publicado na revista “Neuron”

18 agosto 2015
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Um novo estudo publicado na revista “Neuron” poderá ajudar no desenvolvimento de fármacos que promovam um melhor sono e que controlem a hiperatividade nos indivíduos diagnosticados com mania.
 
No estudo, os investigadores do Imperial College London, no Reino Unido, decidiram investigar, em ratinhos, por que é necessário o sono, o que controla a vigília e como o equilíbrio entre estes dois estados influencia as funções cerebrais como a concentração, a memória e a saúde no seu todo.
 
“O sono é essencial para a saúde. Temos de dormir todos os dias. Mas ninguém sabe porquê”, referiu, um dos autores do estudo, Bill Wisden.
 
Os investigadores já sabiam que a histamina envia sinais para o cérebro para acordá-lo, isto explica por que motivo os anti-histamínicos estão associadas à sonolência. O novo estudo sugere que o neurotransmissor GABA atua contra a histamina, o que faz com que a vigília não seja tão intensa.
 
O estudo apurou que o GABA e a histamina são produzidos nas mesmas células cerebrais, o que levou os investigadores a questionarem a sua função. Desta forma, os investigadores decidiram alterar os níveis de GABA produzidos nos cérebros dos ratinhos e mediram as alterações ocorridas na atividade cerebral ao longo do dia e da noite.
 
O estudo apurou que os ratinhos sem GABA desenvolviam características semelhantes à condição médica conhecida por mania, caracterizada por atividade excessiva e falta de sono. Nos humanos estes sintomas são também muitas vezes sintomas de doença bipolar. 
 
Os investigadores verificaram que, comparativamente com os ratinhos controlo, aqueles sem GABA corriam duas vezes mais e mais rápido e mantinham ou até aumentavam a sua atividade geral ao longo de 30 minutos.
 
Os animais mantinham-se também mais acordados durante o dia, altura em que normalmente dormiriam. Quando dormiram, os ratinhos apenas despenderam 65% do seu tempo normal de sono na fase REM, um sono mais pesado e sem sonhos.
 
O que mais surpreendeu os investigadores foi o facto de a privação de sono ter afetado muito pouco os ratinhos. Habitualmente os animais que perdem cinco horas de sono dormem mais a seguir à privação do sono e têm um menor nível de atividade. Contudo, verificou-se que os ratinhos sem GABA mantiveram-se hiperativos nas 16 horas seguintes a terem acordado, não parecendo precisar de recuperar do sono perdido.
 
Os autores do estudo esperam que estes achados ajudem a compreender melhor a ligação entre a privação de sono e as doenças mentais nos humanos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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