Novas descobertas poderão ajudar a tratar o prurido

Estudo publicado no “Science Signaling”

01 agosto 2016
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Um estudo norte-americano publicado na revista científica “Science Signaling” revela de que forma as células nervosas sensitivas atuam em conjunto para transmitir sinais de prurido (comichão) da pele para a espinal medula, a partir de onde os neurónios transportam esses sinais até ao cérebro. Estes achados poderão ajudar os cientistas a desenvolver novas formas de combater o prurido.
 

“Ao interferir com a atividade dos neurónios sensitivos, poderemos ser capazes de inibir vários tipos de prurido”, revelou Zhou-Feng Chen, da Universidade de Washington, nos EUA, na nota de imprensa publicada por esta instituição.
 

Os canais de cálcio permitem o transporte de iões de cálcio de uma célula nervosa para outra, ajudando, desta forma, as células a transmitir sinais de prurido da pele para outras células na espinal medula.
 

Para esta investigação os cientistas da Universidade de Washington observaram de que forma o gânglio da raiz dorsal (uma estrutura próxima da espinal medula que processa sinais da pele e os transmite para os neurónios na espinal medula) processa e transmite dois tipos de sinais de prurido: o prurido induzido por histamina, causado, por exemplo, por picadas de animais; e o prurido induzido por cloroquina, experienciado frequentemente por doentes com malária que tomam o fármaco com o mesmo nome para controlar os sintomas.
 

Os cientistas pensavam que os sinais de cada tipo de prurido eram transportados por diferentes canais de cálcio.
 

Para comprovar esta hipótese, os investigadores criaram um modelo de ratinhos sem o canal que processa os sinais da histamina. Quando estes animais foram expostos à histamina, reagiram ao prurido coçando-se. O mesmo aconteceu no modelo de ratinhos sem o canal que transmite os sinais do prurido provocado pela cloroquina, quando os animais foram expostos a este fármaco.
 

Intrigados com estes resultados a equipa de Chen descobriu um terceiro canal de cálcio denominado TRPV4 que transmitia ambos os sinais de prurido. Além disso, os cientistas ficaram também a saber que o canal que transmite os sinais do prurido induzido por histamina, o TRPV1, estava envolvido no prurido induzido por cloroquina ao ajudar o TRPV4 a processar os sinais. O facto de o TRPV4 se encontrar envolvido no processamento de ambos os sinais de prurido abre a possibilidade de este canal estar envolvido noutros tipos de prurido, nomeadamente no prurido crónico.
 

“A grande surpresa é que, apesar de estes tipos de prurido terem causas distintas, estes dois canais nas células sensitivas podem trabalhar em conjunto para sinalizar ambos os tipos de prurido”, refere Chen.
 

Na opinião do cientista, o facto de terem provado que os canais atuam em conjunto ajuda a explicar por que motivo as células sensitivas podem processar vários tipos de sinais ambientais, incluindo prurido resultante de diferentes causas. Isto sugere igualmente que estes canais poderão no futuro vir a ser usados como alvos terapêuticos para o prurido.
 

“Ao ter por alvo um único canal na periferia, poderá ser possível reduzir o prurido induzido por histamina, o prurido induzido por cloroquina e até tipos de prurido crónico que não respondem aos tratamentos atuais”, afirmou Chen.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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