Nova vacina contra o mesotelioma mostra-se eficaz

Estudo publicado no “Journal of Respiratory and Critical Care Medicine”

08 março 2010
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Uma nova vacina contra o mesotelioma, um cancro raro, localizado nas células mesoteliais da pleura ou nas células peritoneais do abdómen e que está associado à exposição ao amianto, mostrou-se eficaz, revela um estudo publicado no “Journal of Respiratory and Critical Care Medicine”.

 

Esta nova vacina, composta por células dendríticas bem como por antigénio tumoral do paciente, é capaz de induzir uma resposta contra o mesotelioma mediada por linfócitos T.

 

Nos EUA e noutros países desenvolvidos, o uso do amianto já é proibido desde há várias décadas, mas o diagnóstico de mesotelioma pode acontecer 50 anos depois da exposição àquela substância. A incidência de mesotelioma ainda é elevada e deverá continuar a aumentar até 2020.

 

Por essa razão e por serem escassas as opções de tratamento actualmente existentes, o desenvolvimento de novas terapias tem despertado algum interesse.

 

Neste estudo, investigadores da Erasmus Medical Center, na Holanda, contaram com a participação de 10 indivíduos que tinham sido diagnosticados recentemente com mesotelioma pleural. Aos pacientes foram retiradas amostras de sangue e as células dendríticas imaturas foram cultivadas na presença do antigénio tumoral. Após a maturação das células dendríticas, elas foram injectadas de novo nos pacientes, em três doses administradas num período de duas semanas.

 

Os investigadores verificaram que, após a vacinação, houve um aumento significativo na produção de anticorpos. Em quatro dos pacientes houve uma indução clara de citotoxicidade contra os tumores. Apesar de não poder ser directamente atribuído à vacina, em três dos pacientes houve sinais de regressão do tumor. Nenhum dos pacientes mostrou sinais de doenças auto-imunes provocadas pela vacinação nem qualquer efeito secundário grave.

 

Em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Joachim G Aerts, revelou que “o grande problema do mesotelioma é que o ambiente de imunossupressão causado pelo tumor irá influenciar negativamente a nossa terapia e, por isso, estamos agora a trabalhar num método para diminuir esse ambiente imunossupressor. Esperamos que, através do desenvolvimento do nosso método, seja possível aumentar a sobrevivência dos pacientes com mesotelioma e, eventualmente, vacinar pessoas que tenham estado em contacto com o amianto”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

 

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