Nova terapia recorre às células mãe para recuperar coração após enfarte
02 outubro 2001
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Uma nova terapia reparadora do músculo cardíaco após um enfarte, através da injecção de células mãe (ou precursoras) no órgão danificado, vai ser testada em Viena, anunciou hoje o inventor do processo, Alfred Kocher.
 

 

Segundo Kocher, a sua equipa foi a primeira a nível mundial a isolar e a identificar na medula óssea humana as células mãe catalisadoras de novos vasos sanguíneos.
 

 

O cientista, do Hospital Geral da capital austríaca, traçou como propósito melhorar o rendimento do coração que, dez ou quinze anos após um enfarte, e como consequência tardia, pode revelar insuficiências graves.
 

 

Nas experiências com ratos, a equipa médica austríaca conseguiu reparar um tipo de lesão cardíaca até agora irreversível, catalisando o aparecimento de novos vasos sanguíneos nas zonas mortas em consequência do enfarte.
 

 

Durante um ano, Kocher examinou em laboratório as células mãe humanas de pessoas adultas, de forma a averiguar se essas células teriam a mesma capacidade de crescimento que a verificada em animais.
 

 

Depois, injectou as células humanas em ratos nos quais tinha sido provocado artificialmente um enfarte, podendo constatar, após 14 meses de trabalho, que as células mãe se dirigiram para o coração, exactamente para os pontos onde o enfarte tinha causado danos.
 

 

Multiplicação surpreendente
 

 

O investigador ficou surpreendido quando descobriu que as células do músculo cardíaco dos ratos se tinham também multiplicado, contrariando a opinião difundida até agora de que as células musculares do coração de seres adultos não se multiplicam.
 

 

Kocher concluiu que esta reacção é possível sempre que o coração receba a quantidade necessária de oxigénio e de substâncias que o alimentem, podendo recuperar novamente a actividade em zonas danificadas.
 

 

O médico austríaco quer ser agora o primeiro a nível mundial a aplicar esta técnica no homem, lamentando que a comissão de ética do Estado austríaco tenha retido a aplicação do processo para a realização de mais testes.
 

 

Kocher assegura possuir os conhecimentos necessários para condicionar as células e preparar o coração para obter o efeito desejado, uma vez que se deve incentivar o órgão para que emita substâncias que atraiam as células mãe.
 

 

Com uma equipa de cirurgiões vianense, a ajuda de uma empresa que disponibiliza os anticorpos necessários à operação, e o apoio financeiro de uma universidade norte-americana, o médico pretende realizar brevemente a primeira intervenção deste tipo.
 

 

Fonte: Lusa

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