Nova técnica pode identificar sinais precoces de cancro de mama
07 novembro 2001
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De acordo com um estudo recente, uma técnica experimental que mede e analisa células extraídas dos ductos lactíferos pode identificar precocemente os sinais de cancro em mulheres com alto risco para desenvolverem esta doença.
 

 

Para os investigadores, este método pode ajudar os médicos e as suas pacientes a decidirem se devem, ou não, tomar medidas preventivas contra o cancro de mama.
 

 

Como é esta nova técnica?
 

 

A técnica de lavagem ductal envolve a introdução de uma solução salina nos ductos lactíferos através da utilização de um catéter que é introduzido através do mamilo. O ducto lactífero é lavado com essa solução e dessa lavagem fisiológica resultam células para análise. Como a maioria dos tumores de mama crescem no revestimento dos ductos lactíferos, as células anormais que forem encontradas podem indicar o desenvolvimento de um cancro ainda nas suas fases primordiais de desenvolvimento.
 

 

A equipa de William C. Dooley, do Centro de Ciências da Universidade de Oklahoma, em Oklahoma City (EUA), comparou a lavagem ductal à aspiração do mamilo. A aspiração do mamilo é outra técnica utilizada para recolher as células que revestem os ductos lactíferos, em que as amostras de células para análise são retiradas através da introdução de uma agulha muito fina no mamilo.
 

 

Será esta técnica mais sensível na detecção do cancro?
 

 

No artigo publicado por esta equipa na última edição deste mês do Journal of the National Cancer Institute, os investigadores relatam que, comparativamente à técnica de aspiração, a lavagem fisiológica reuniu uma maior quantidade de células para estudo e identificou células anormais com uma frequência 3,5 vezes maior.
 

 

Esta equipa estudou 507 mulheres que fizeram mamografias recentemente e nas quais tiveram resultados normais. Apesar dos resultados normais, estas mulheres eram todas consideradas de alto risco para o cancro de mama: mais da metade tinha histórico familiar desta doença, enquanto as restantes mulheres do grupo apresentavam uma combinação de factores variados como cancro de mama anterior, história familiar e mutações genéticas associadas ao tumor na mama.
 

 

Todas as mulheres foram submetidas primeiro à técnica de aspiração no mamilo e imediatamente depois à lavagem ductal.
 

 

Da lavagem fisiológica ductal resultaram células suficientes para fazer o teste em 78% das mulheres, enquanto a aspiração obteve material apenas em 27% dos casos. A lavagem fisiológica detectou células anormais em 25% das pacientes enquanto que a aspiração revelou células suspeitas em apenas 6%.
 

 

A obtenção de células anormais através desta nova técnica de lavagem fisiológica dos ductos lactíferos pode ajudar as mulheres e os médicos a decidirem se aderem a terapias de redução de risco - como o tratamento com tamoxifeno, por exemplo - e indicar quais as mulheres devem ser acompanhadas com maior rigor.
 

 

Resultados ainda têm de ser confirmados
 

 

Os autores deste trabalho realçam no artigo que esta investigação não conseguiu esclarecer se a presença de células benignas na lavagem ductal pode excluir automaticamente a possibilidade de uma mulher desenvolver cancro da mama.
 

 

Por isso, a precisão desta nova técnica na identificação do cancro da mama ainda está em estudo. Todas as voluntárias ainda estão a ser acompanhadas para verificar em que medida os resultados precoces da lavagem ductal podem ser relacionados às taxas de cancro.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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