Nova técnica ataca fonte de doença de Parkinson

Estudo publicado na revista “Molecular Neurodegeneration”

25 setembro 2015
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Investigadores do Reino Unido acreditam ter encontrado uma nova forma de atingir as células cerebrais afetadas pela doença de Parkinson. O estudo publicado na revista “Molecular Neurodegeneration” refere que a nova técnica é relativamente não invasiva e melhorou os sintomas da doença em ratinhos.
 
A doença de Parkinson causa problemas progressivos no movimento, postura e equilíbrio. Atualmente esta condição é tratada com fármacos, mas estes têm efeitos secundários graves e podem perder eficácia após cinco anos. 
 
Os pacientes podem também ser tratados através da estimulação cerebral profunda, uma técnica cirúrgica em que a corrente elétrica é utilizada para estimular as células nervosas do cérebro. Para além de ser um tratamento invasivo, tem conduzido a resultados díspares. Enquanto alguns pacientes beneficiam da estimulação cerebral profunda outros não apresentam melhorias ou pode mesmo ser prejudicial. Acredita-se que isto pode ocorrer porque a estimulação cerebral profunda não é precisa, estimulando todo o tipo de células nervosas e não apenas as células-alvo.
 
Neste estudo, os investigadores do Imperial College de Londres e da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, testaram um método alternativo, menos invasivo e mais preciso, concebido para atingir e estimular um tipo específico de células nervosas denominadas neurónios colinérgicos. Este tipo de neurónios encontra-se numa parte do cérebro denominada núcleo pedunculopontino ou PPN.
 
Os investigadores já suspeitavam que os neurónios colinérgicos estavam envolvidos na doença de Parkinson, uma vez que estudos post mortem a cérebros de pacientes indicaram que metade deste tipo de células tinha desaparecido.  
 
Neste estudo os investigadores utilizaram ratinhos tratados para mimetizar os sintomas da doença de Parkinson. Foi utilizado um vírus inofensivo para implementar um “interruptor” genético especialmente concebido para os neurónios colinérgicos. Os ratinhos receberam um fármaco desenvolvido para ativar este “interruptor” e estimular os neurónios-alvo.
 
Os investigadores verificaram que após o tratamento os animais recuperaram quase na totalidade e foram capazes de se movimentar normalmente.
 
“Este estudo confirma que os neurónios colinérgicos são a chave para os problemas de movimento e instabilidade de postura dos pacientes com doença de Parkinson avançada. Também sugere que é possível atingir as células que restam para compensar aquelas que já não estão a funcionar eficazmente, possivelmente devido à fraca comunicação entre as células nervosas. Se conseguirmos transferir esta técnica para os humanos, acreditamos que poderemos ajudar os pacientes a recuperar a mobilidade”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Ilse Pienaar. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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