Nova relação entre a nicotina e a inflamação

Estudo publicado no “Journal of Leukocyte Biology”

06 setembro 2016
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Investigadores suecos e americanos descobriram que existe uma ligação entre a nicotina e a inflamação e que poderá explicar as consequências prejudiciais do consumo de tabaco para a saúde humana, revela um estudo publicado no “Journal of Leukocyte Biology”.
 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o tabaco provoca, anualmente, a morte de cerca de seis milhões de pessoas. A nicotina é o componente mais viciante e tóxico presente no tabaco. Esta substância é uma das principais causas de doenças inflamatórias entre os fumadores e não fumadores por inalação passiva, como a doença pulmonar obstrutiva crónica. Esta doença pulmonar afeta mais de dez por cento da população adulta nos países ocidentais. Os mecanismos moleculares subjacentes à atividade inflamatória de nicotina ainda não são bem compreendidos.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Umeå, na Suécia, em colaboração com uma equipa americana, que a nicotina ativa um tipo de células imunitárias, os neutrófilos, de uma forma indesejável.
 

Os neutrófilos são os leucócitos mais abundantes que circulam na corrente sanguínea, estando prontos para atacar os microrganismos invasores com um arsenal de compostos antimicrobianos. Estas células imunitárias são essenciais para prevenir a infeção através da ingestão de microrganismos invasores ou da libertação de espécies reativas de oxigénio, bem como fibras de ADN a partir de seus próprios núcleos, denominadas armadilhas extracelulares neutrofílicas (NET, sigla em inglês).
 

A libertação das NET é uma faca de dois gumes. Na verdade como contêm enzimas antimicrobianas e moléculas pró-inflamatórias são prejudiciais para os microrganismos invasores, mas também podem afetar bastante o próprio tecido do hospedeiro, se não for controlada corretamente. Nos últimos anos, as NET têm sido apontadas como mediadoras de danos de tecidos em diversas doenças inflamatórias, tais como, vasculites de pequenos vasos, artrite e cancro.
 

Os cientistas, liderados por Constantin Urban, demonstraram pela primeira vez que a nicotina desencadeiam a libertação das NET. O sinal para as desencadear é mediado por um recetor da acetilcolina específico encontrado nos neutrófilos.
 

"Esta nova descoberta abre novos caminhos para compreender as consequências do uso do tabaco para a saúde humana e deve ser visto como um argumento mais convincente para parar de fumar de qualquer forma”, concluiu o primeiro autor do estudo, Ava Hosseinzadeh.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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