Nova fórmula matemática prevê sucesso das terapias anticancerígenas

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

11 outubro 2011
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A taxa de resposta das células tumorais do pulmão nas primeiras semanas de tratamento pode prever quais os tumores que irão entrar em regressão, revela um estudo publicado na “Science Translational Medicine”.
 

De acordo com os autores do estudo, o êxito dos tratamentos não depende directamente da sua capacidade para matar as células cancerígenas, mas antes da sua capacidade em diminuir a taxa de divisão das células tumorais.
 

Neste estudo, os cientistas coordenados por Dean Felsher, líder do Stanford Molecular Therapeutics Program, da Stanford University School of Medicine, na Califórnia, utilizaram uma técnica de biologia computacional para caracterizar um fenómeno denominado “oncogene addiction”,  no qual o cancro está dependente da actividade de um único gene.
 

Os tumores que são dependentes da mutação de uma única proteína para o seu crescimento regridem rapidamente quando a actividade dessa proteína, ou oncogene, é bloqueada. Contudo, como o cancro reflecte a interacção de centenas ou milhares de mutações dentro de cada célula, é muito difícil dizer quais ou quantos tumores se enquadram nessa categoria. Muitas pessoas poderão responder à terapia rapidamente, mas, muitas vezes, não melhoram. “Neste estudo, descobrimos a cinética de regressão, que pode prever se um tumor está associado a um oncogene e se pode ser tratado com sucesso através de terapias específicas”, explica Dean Felsher.
 

Para chegarem a esta conclusão, os cientistas utilizaram uma estirpe de ratinhos que não expressavam um oncogene denominado K-ras. Após terem induzido a formação de tumores nos animais, bloquearam a expressão deste oncogene e mapearam a cinética de regressão dos tumores através da medição precisa dos sinais de morte e de sobrevivência.
 

O estudo revelou que os níveis dos dois sinais diminuíram ao longo do tempo, mas os sinais que promovem a sobrevivência das células cancerígenas dissiparam-se mais rapidamente. “Quando isto ocorre, o equilíbrio desloca-se na direcção dos sinais de morte e o tumor diminui", explicou Felsher.
 

A sobrevivência de uma célula depende do balanço destes sinais. Assim, este estudo mostrou que as terapias que têm por alvo o oncogene matam os tumores indirectamente através dos sinais de sobrevivência, os quais permitem que os sinais de morte existentes predominem.
 

Os investigadores utilizaram uma equação diferencial para correlacionar as alterações nos sinais de sobrevivência e morte com a taxa de regressão dos tumores nos animais. Através deste modelo, os cientistas conseguiram prever quais dos 43 pacientes que tinham ingressado num teste clínico apresentavam um tumor associado a um oncogene. Tal como previsto, estes pacientes reagiram melhor ao tratamento.  
 

Actualmente os investigadores estão a tentar aplicar estas novas descobertas a outro tipo de cancro e a outras variáveis.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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