Nova forma de prever o risco de cancro

Estudo publicado na revista “EBioMedicine”

22 fevereiro 2016
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A diferença entre a idade epigenética e a idade cronológica pode ajudar a prever o risco de desenvolvimento de cancro. Quanto maior a diferença maior é o risco de cancro, dá conta um estudo publicado na revista “EBioMedicine”.
 

“A discrepância entre as duas idades parece ser uma ferramenta promissora que pode ser utilizada para desenvolver um teste sanguíneo para a deteção precoce do cancro”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Lifang Hou.
 

O investigador da Universidade de Northwestern, nos EUA, explica que as pessoas saudáveis têm uma diferença pequena entre a idade cronológica e a idade biológica/epigenética. Os indivíduos que desenvolvem cancro têm uma grande diferença e os que morrem desta doença têm uma diferença ainda maior. “O nosso estudo demonstrou que há uma tendência clara”, disse o investigador.
 

A idade epigenética de um indivíduo é calculada com base num algoritmo que mede 71 marcadores de metilação do ADN que podem ser modificados pelo ambiente, incluindo produtos químicos ambientais, obesidade, dieta adotada e prática de exercício físico. Na metilação do ADN, um conjunto de moléculas liga-se a um gene e faz com que este fique mais ou menos recetivo a sinais bioquímicos do corpo. Contudo, o gene em si não sofre alterações.
 

Para o estudo os investigadores colheram, entre 1999 e 2003, várias amostras de sangue tendo no total utilizado 834 amostras provenientes de 442 participantes que não tinham cancro na altura da colheita.
 

Os investigadores constataram que por cada ano de aumento na discrepância entre a idade cronológica e epigenética, havia um risco seis por cento maior de desenvolver cancro nos três anos seguintes e um risco 17% maior de morte por cancro nos cinco anos seguintes. Os indivíduos que irão desenvolver cancro têm uma idade epigenética cerca de seis meses mais velha que a idade cronológica. Os que vão morrer desta doença têm uma idade epigenética cerca de 2,2 anos superior.
 

"Os nossos resultados sugerem que as investigações futuras deveriam focar-se na discrepância entre a idade epigenética-cronológica devido ao seu potencial para demonstrar um retrato da saúde humana e da doença ao nível molecular", revelou, o primeiro autor do estudo, Yinan Zhang.
 

Atualmente os investigadores estão a tentar perceber se é possível diminuir a idade epigenética através de melhorias do estilo de vida, incluindo o aumento da prática de exercício e a adoção de uma dieta saudável.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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