Nova forma de monitorizar sinais vitais?

Estudo publicado na revista “PLOS One”

23 novembro 2015
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Investigadores americanos desenvolveram um dispositivo ingerível que mede a frequência cardíaca e respiratória dentro do trato gastrointestinal, dá conta um estudo publicado na revista “PLOS One”.
 

De acordo com os investigadores do MIT, este tipo de sensor poderá facilitar a avaliação dos pacientes que sofreram um trauma, monitorizar os soldados em batalha, avaliar a longo prazo os pacientes com doenças crónicas, ou melhorar o treino dos atletas profissionais e amadores.
 

O novo sensor calcula a frequência cardíaca e respiratória a partir de ondas sonoras distintas produzidas pelo batimento do coração e inalação e exalação dos pulmões.
 

“Através da caracterização da onda sonora, gravada a partir de diferentes partes do trato gastrointestinal, verificámos que conseguíamos medir a frequência cardíaca e respiratória como uma boa precisão”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Giovanni Traverso.
 

Atualmente os médicos medem os sinais vitais através da utilização de técnicas que necessitam do contacto com a pele do paciente. Os sinais vitais podem ser também medidos através de monitores portáteis, mas são por vezes desconfortáveis de utilizar.
 

Inspirados nos dispositivos ingeríveis existentes que podem medir a temperatura corporal, e outros que captam imagens do trato digestivo, os investigadores decidiram desenvolver um sensor para medir a frequência cardíaca e respiratória, bem como a temperatura, no interior do trato digestivo. Os investigadores decidiram que a forma mais simples de o conseguir era ouvir o corpo utilizando um pequeno microfone.
 

Os investigadores desenvolveram assim um pequeno estetoscópio que pode ser ingerido. “Através do mesmo sensor, podemos recolher os sons cardíacos e respiratórios”, revelou, em comunicado de imprensa, um outro autor do estudo, Albert Swiston.
 

De forma a traduzir os dados acústicos em frequência cardíaca e respiratória, os investigadores tiveram que desenvolver sistemas de processamento de sinais que distinguem os sons produzidos pelo coração e pulmões um do outro, bem como o ruído de fundo produzido pelo trato digestivo e outras partes do corpo.
 

O sensor é aproximadamente do tamanho de um comprimido e é constituído por um pequeno microfone envolto numa  cápsula de silicone, juntamente com um componente eletrónico que processa o som e envia sinais rádio para um recetor externo, com uma gama de cerca de 3 metros.
 

Nos testes realizados ao longo do trato gastrointestinal de suínos, os investigadores descobriram que o dispositivo era capaz de colher com precisão a frequência cardíaca e respiratória.
 

Os autores do estudo esperam que o dispositivo permaneça no trato digestivo apenas durante um dia ou dois. Assim, para uma monitorização mais longa os pacientes deverão tomar estas novas cápsulas à medida das necessidades.
 

No âmbito militar, este tipo de dispositivo ingerível pode ser útil para monitorizar a fadiga dos soldados, a desidratação, taquicardia ou choque. Quando combinado com um sensor de temperatura, pode também detetar hipotermia, hipertermia, ou febre decorrente de infeções.
 

No futuro, os investigadores estão a planear o desenvolvimento de um sensor que consiga diagnosticar condições cardíacas como arritmias ou problemas respiratórios, como é o caso do enfisema ou asma.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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