Nova ferramenta para reparação da válvula mitral testada com sucesso em humanos

Resultados publicados na “Circulation”

28 julho 2016
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Um novo instrumento cirúrgico criado para a reparação da válvula mitral demonstrou ser seguro num estudo realizado em humanos. O aparelho guiado por imagem utiliza uma pequena abertura no coração em batimento, evitando, dessa forma, a cirurgia de peito aberto, automatizando parte do processo cirúrgico, simplificando o procedimento e reduzindo o tempo operatório, revelam os resultados publicados na revista “Circulation”.
 

A regurgitação mitral (RM) degenerativa é uma das complicações mais comuns da válvula cardíaca, em que esta deixa passar sangue no sentido contrário, no lado esquerdo do coração, dando origem a dispneia, retenção de líquidos, arritmia e fadiga. Esta condição ocorre quando as pequenas cordas fibrosas do coração que abrem e fecham as abas das válvulas, conhecidas como cúspides, se danificam, impedindo que as cúspides fechem devidamente e provocando o prolapso destas para cima, em direção à aurícula esquerda do coração.
 

O novo aparelho, desenvolvido pela Escola de Medicina da Universidade de Maryland, nos EUA, em conjunto com a empresa Harpoon Medical Inc., tem o nome de Harpoon TSD-5. Este instrumento fixa cordas artificiais de politetrafluoretileno expandido (ePTFE) – um polímero usado em suturas na cirurgia cardíacas – nas cúspides para substituir as cordas naturais danificadas.
 

Os cirurgiões inserem o aparelho no coração, enquanto este está a bater, através de uma pequena abertura no tórax e, utilizando imagens de ecocardiograma, guiam-no até à superfície das cúspides mitrais defeituosas. Uma vez chegado ao local ideal para a colocação das cordas artificiais, o aparelho é ativado. Este realiza uma pequena abertura no local e envia as cordas através das cúspides. Através de um processo automático, realiza um nó para manter a corda no local. A outra ponta da corda é ajustada para o comprimento ideal e ligada à camada externa do coração, o epicárdio. Na maioria dos casos são necessárias entre três a quatro cordas.
 

De acordo com James S. Gammie, um dos autores do estudo, em declarações reproduzidas na nota de imprensa divulgada pela instituição americana, a possibilidade de realizar ajustes às cordas enquanto o coração está a bater é uma das principais vantagens em relação à cirurgia de peito aberto.
 

Neste estudo participaram doentes com RM degenerativa resultante de prolapso da cúspide posterior isolada. Apenas foram selecionados indivíduos que tinham superfície de cúspide adequada que resultasse na redução efetiva de RM. O achado primário do estudo foi o sucesso do procedimento, definido como a implantação bem-sucedida de uma ou mais cordas artificiais na válvula mitral, assim como a redução de RM de grave para, pelo menos, moderada no final do procedimento e ao fim de 30 dias.
 

“Achamos que esta abordagem se poderá aplicar a provavelmente a três quartos dos pacientes com doença degenerativa, que é o principal motivo para as pessoas recorrem a cirurgia à regurgitação da válvula mitral”, afirmou Gammie.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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