Nova esperança para pessoas com esclerose múltipla

Estudo publicado no “Journal of Experimental Medicine”

29 abril 2015
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Uma nova medicação que bloqueia a produção de um certo tipo de células imunitárias associadas a inflamações e à autoimunidade poderá prevenir o desenvolvimento da esclerose múltipla (EM).
 
Eric Verdin, um dos investigadores dos Institutos Gladstone, nos EUA, afirma que “tendo em conta os efeitos significativos deste tratamento na inflamação, as implicações destes resultados irão provavelmente além do tratamento da esclerose múltipla para outros tipos de doenças autoimunes. Interessa-nos particularmente testar como esta medicação funcionará com a diabetes tipo 1, tendo em conta as vias semelhantes envolvidas, e conseguimos, aliás, ver já nos testes preliminares resultados promissores”. 
 
As doenças autoimunes resultam muitas vezes de um desequilíbrio entre as células reguladoras Treg, que desativam o sistema imunitário, e as células Th17, que o ativam. Quando existe uma proliferação de células Th17 e défice de Tregs, o sistema imunitário pode entrar em hiperatividade, resultando em inflamação, danos nos tecidos e doenças autoimunes.
 
A equipa de investigadores descobriu que uma proteína chamada SIRT1 (sirtuína 1) está envolvida na produção de células Th17 (células que ativam o sistema imunitário e nos protegem de infeções e cancros). Ao bloquear esta proteína, os cientistas conseguiram evitar o início da autoimunidade. Esta proteína também tem um impacto negativo na maturação e manutenção das células Treg. Ao inibir a expressão da SIRT1, verifica-se simultaneamente um aumento da produção de células Treg e a supressão da criação de células Th17.
 
Para o estudo, os investigadores recorreram a um modelo de ratinho para a EM e trataram-nos com este medicamento que inibe a SIRT1. Os ratinhos com esclerose múltipla apresentam normalmente problemas motores graves e até paralisia. No entanto, com este medicamento, os ratinhos não apresentaram sinais de doença, inflamação ou lesões celulares na coluna, que constituem marcadores típicos da EM.
 
Hyungwook Lim, que liderou o presente estudo, explica que se reconhecem propriedades anti-inflamatórias à SIRT1, mas que este estudo revelou que os efeitos desta proteína são bastante mais complexos. De acordo com a investigação, esta proteína também pode ter efeitos negativos e o seu papel depende muito do tipo de tecido que estiver em causa. No caso das células imunitárias, esta proteína parece ter um efeito pró-inflamatório, em vez de anti-inflamatório. 
 
Estudos do género aumentam assim a esperança de tratamento para as pessoas que sofram de esclerose múltipla e de outras doenças autoimunes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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