Nova esperança para doentes com Linfomas

Radioimunoterapia é uma novidade na abordagem científica

22 novembro 2004
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Um investigador britânico considerou a radioimunoterapia como «uma nova esperança» para os doentes com um determinado cancro no sistema linfático que afecta os glóbulos sanguíneos que produzem anticorpos e que não conseguem resultados nos tratamentos de quimioterapia.O especialista referia-se sobretudo aos doentes com linfomas não-Hodgkin, um grupo de doenças malignas dos linfócitos (glóbulos que produzem anticorpos).A radioimunoterapia é uma nova abordagem no tratamento oncológico que junta a rádio e a imunoterapia, através da utilização de anticorpos - as substâncias que protegem o organismo contra as infecções - por via intravenosa.Para Tim Illidge, investigador do Hospital Geral e Universitário de Southampton (Reino Unido), que falava durante a reunião anual da Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH), a decorrer no Algarve, a radioimunoterapia abre «uma nova etapa no tratamento dos linfomas não-Hodgkin». O investigador considera que se trata de «uma terapêutica muito entusiasmante para os doentes, porque resulta naqueles que deixaram de responder aos regimes de quimioterapia».Não só as taxas de resposta são muito elevadas, como também é «impressionante o número de indivíduos que apresentam uma resposta completa ao tratamento», acrescentou. O investigador revelou que cerca de dois terços dos doentes tratados registam uma remissão (regressão da doença) que pode durar anos. E acrescenta: «Este tipo de remissões verificam-se também em pessoas que falharam o tratamento de quimioterapia».A radioimunoterapia foi inicialmente desenvolvida como uma forma de conduzir a radiação até às células cancerosas, através de um anticorpo. Mas, no início dos anos 90, «pensava-se na utilização do anticorpo apenas como um veículo para conduzir a radiação até às células».Para o especialista, e tendo em conta o trabalho que tem desenvolvido ao longo dos anos na pesquisa dos componentes deste tratamento, «tornou-se bastante claro que o veículo, ou o anticorpo, tem um papel muito importante por si só, uma vez que pode recrutar o sistema imunitário do hospedeiro, de forma a obter uma mais valia terapêutica».É precisamente este efeito e a associação à radiação que «torna este tratamento tão especial», disse. De acordo com Tim Illidge, «actualmente só existem dois tratamento que podem garantir este nível de taxas de remissão: a transplantação e a radioimunoterapia».A primeira é uma abordagem promissora mas muito tóxica. A última tem sido utilizada nos ensaios clínicos como terapêutica isolada. O investigador admite que, no futuro, se possa utilizar este tipo de abordagem em combinação com os tratamentos convencionais como a quimioterapia, o que é altamente provável e que poderá ter um impacto significativo.Fonte: Lusa

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