Nova direção no tratamento do cancro

Estudo da Universidade de Coimbra

17 junho 2015
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A origem das células estaminais cancerígenas é multifacetada e algumas surgem por ação da quimioterapia, o que sugere “uma nova direção para o tratamento” do cancro, defendem os investigadores da Universidade de Coimbra (UC).
 

Os investigadores do Departamento de Ciências da Vida da UC descobriram que, ao contrário do que se pensava até agora, a origem das células estaminais cancerígenas é “multifacetada” e que “algumas surgem mesmo por ação da quimioterapia”.
 

O estudo, que teve como objetivo analisar a origem das células estaminais tumorais, “provou haver uma grande plasticidade intratumoral, ou seja, dentro do tumor há um vasto conjunto de subpopulações celulares que, mediante determinados estímulos, se convertem em células estaminais cancerígenas, cujo potencial maligno acrescido assegura a sobrevivência, invasão e metastização dos tumores”, refere um comunicado da UC, ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

De acordo com vários estudos anteriores, “as células estaminais tumorais são extremamente resistentes aos tratamentos convencionais do cancro (quimioterapia e/ou radioterapia) e são responsáveis pelas recidivas de diversos tipos de tumores”, refere a UC.
 

As experiências realizadas no âmbito deste estudo permitiram ainda identificar “três citocinas (moléculas envolvidas nas transmissão de informação entre células) como potenciais promotores desta interconversão celular maligna”.
 

As citocinas identificadas promovem uma espécie de “conversa invisível” entre as várias subpopulações de células, “transmitindo propositadamente informação que leva à mudança de fenótipos das células” e “assegurando, consequentemente, a sua sobrevivência”, explicou a coordenadora do estudo, Maria Carmem Alpoim.
 

As descobertas conseguidas nesta investigação assinalam que é necessária uma mudança no paradigma de combate ao cancro. “Estas evidências determinam a implementação de novas abordagens nos tratamentos oncológicos para aumentar a sua eficácia”, alerta Maria Carmem Alpoim.
 

“O recurso a cocktails de medicamentos direcionados às várias subpopulações tumorais, inclusive em doentes submetidos a radioterapia, permitirá maximizar a sua eficiência”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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