Nova abordagem pretende privar células cancerígenas de alimento

Resultados publicados no jornal “Blood”

19 maio 2015
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Cientistas norte-americanos pretendem privar as células cancerígenas de nutrientes essenciais, de forma a levá-las à autodestruição.
 
Os tratamentos oncológicos atuais utilizam substâncias químicas que tanto destroem as células cancerígenas como as saudáveis, o que provoca efeitos indesejáveis nos pacientes. No entanto, cientistas norte-americanos encontram-se a testar uma nova abordagem que pretende afetar apenas as células cancerígenas e manter intactas as saudáveis.
 
As células humanas necessitam tanto de asparagina como de glutamina para sobreviver. Embora a maioria das células normais seja capaz de sintetizar asparagina para satisfazer as suas próprias necessidades, algumas células cancerígenas não possuem esta capacidade.
 
Como tal, uma abordagem de tratamento contra o cancro que passe pela privação de asparagina nas células cancerígenas requer um equilíbrio delicado: por um lado, eliminar asparagina suficiente para debilitar as células cancerígenas e, por outro, manter os níveis de glutamina necessários para permitir que o paciente tolere a quimioterapia.
 
O L-asparaginase tipo 2 (L-ASN2) é um fármaco normalmente utilizado no tratamento de determinados tipos de leucemia que tem como principal efeito a eliminação da asparagina.
 
Investigadores da Universidade de Maryland e dos Laboratórios Nacionais de Sandia, nos EUA, realizaram simulações moleculares em computador para prever que tipo de mutações seria necessário introduzir neste fármaco para produzir os resultados desejados, ou seja, eliminar asparagina sem alterar os níveis de glutamina. Desta forma, foi possível identificar um local na cadeia de aminoácidos da enzima onde a mutação teoricamente eliminaria o ataque indesejado à glutamina.
 
Os cientistas procederam então à substituição de ADN para a alteração da química do aminoácido, de forma a causar uma mutação.
 
“A maioria dos investigadores concorda que a eliminação da glutamina do sangue do paciente constitui um problema na utilização deste fármaco enzimático”, explicou Susan Rempe, uma das autoras do estudo. “As nossas simulações revelaram uma forma de evitar isso”.
 
Experiências em tubo de ensaio demonstraram que o novo fármaco manteve os níveis de glutamina intactos. Análises posteriores em placas de petri revelaram que a enzima mutada foi capaz de erradicar vários tipos de cancro.
 
Os testes em ratinhos deverão estar concluídos em 2016 e, se forem bem-sucedidos, seguir-se-ão testes em seres humanos.
 
“Os testes em laboratório demonstraram que as previsões estavam corretas e que o novo fármaco consegue destruir uma série de leucemias. Esperamos que o nosso método consiga fazer o mesmo em pacientes e para muitos outros tipos de cancro”, declarou Rempe.
 
“Contudo, se tal não acontecer, tentaremos uma estratégia oposta: alterar a enzima para destruir a glutamina e manter a asparagina intacta. Ou ajustar a enzima para esta degradar as duas moléculas num determinado rácio. Estamos a aprender a controlar esta enzima”, asseverou. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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