Nós e os microrganismos

Estudo publicado na “Cell”

26 junho 2012
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As bactérias que habitam o trato gastrointestinal, e que são essenciais para o bom funcionamento do sistema imune, evoluíram com os seres humanos e são específicas da nossa espécie, dá conta um estudo publicado na “Cell”.

 

Este estudo realizado pelos investigadores da Harvard Medical School, nos EUA, é o primeiro a demonstrar que os microrganismos são específicos de cada espécie e também vem ajudar a elucidar a hipótese higienista. De acordo com esta ideia, o fato de se viver em ambientes extremamente higienizados poderá contribuir para o recente aumento de alergias nas crianças, dado que os microrganismos benéficos são eliminados pelos produtos antibacterianos utilizados na limpeza das habitações.

 

Neste estudo os investigadores utilizaram dois grupos de ratinhos sem flora microbiana. A um dos grupos foi introduzido microrganismos comuns aos animais, e o segundo grupo foi colonizado com microrganismos que habitam o organismo dos humanos.

 

Os investigadores verificaram que apesar da quantidade e diversidade de espécies microbianas ser idêntica nos dois grupos de animais, aqueles que tinham sido colonizados com os microrganismos provenientes dos humanos apresentavam uma menor quantidade de células imunes.

 

O estudo também apurou que o sistema imune destes ratinhos foi também incapaz de se defender contra uma infeção por Salmonela, contrariamente aos animais que tinham sido colonizados com microrganismos habitualmente encontrados no seu organismo.

 

Estes resultados levantam algumas questões sobre a utilização exagerada de antibióticos, bem como os ambientes ultra higienizados em que muitas pessoas vivem. Se as bactérias que habitam o nosso organismo, são específicas e necessárias para um bom funcionamento do sistema imune, então é necessário saber se de facto estamos a perder bactérias vitais. Será que estamos a perder bactérias que evoluíram connosco? Se esse for o caso, esta é mais uma prova que a perda de bactérias benéficas pode ser parcialmente responsável pelo aumento da taxa de doenças autoimunes que se tem assistido recentemente”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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