Nível elevado de glicose e doença metabólica associados

Estudo publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences”

11 maio 2015
  |  Partilhar:
Um estudo recente descobriu uma ligação entre níveis elevados crónicos de glicose e a doença metabólica.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores do Departamento de Química Biológica da Faculdade de Medicina da Universidade John Hopkins, EUA, o estudo apurou uma relação de causa e efeito entre níveis elevados crónicos de glicose e perturbações no funcionamento das mitocôndrias, que são responsáveis por gerar a energia metabólica necessária para o funcionamento das células.
 
Esta descoberta poderá eventualmente conduzir a novas formas de prevenção e de tratamento da diabetes.
 
Gerald Hart, diretor do Departamento de Química Biológica da Universidade John Hopkins comenta que “o açúcar em si não é tóxico, por isso tem sido um mistério o facto de os níveis elevados de açúcar no sangue exercerem um efeito tão profundo sobre o organismo”. Segundo o especialista a resposta para este mistério parece residir no facto de o excesso de açúcar no sangue perturbar a atividade de uma molécula que está envolvida em numerosos processos celulares.
 
Era já sabido, por outros estudos, que na diabetes não tratada, os níveis elevados de açúcar no sangue alteravam a atividade das mitocôndrias. Para este estudo, Partha Banerjee propôs-se a descobrir a razão subjacente àquele fenómeno.
 
Para o efeito, o investigador comparou as enzimas nas mitocôndrias dos corações de ratinhos com diabetes com as de corações de ratinhos saudáveis. Partha Banerjee verificou as diferenças nos níveis de duas enzimas que adicionam e retiram a molécula O-GlcNAc das proteínas.
 
O investigador descobriu que os níveis de uma enzima, a O-GlcNAc transferase, que adiciona O-GlcNAc a proteínas, era mais elevada nas mitocôndrias de ratinhos diabéticos, enquanto os níveis de uma enzima que retira a O-GlcNAc das proteínas, a O-GlcNAcase, eram mais baixos.
 
“Esperávamos que os níveis da enzima fossem diferentes na diabetes, mas não esperávamos a enorme diferença que observámos”, comenta Partha Banerjee. O investigador e sua equipa aperceberam-se igualmente que a localização de uma das enzimas nas mitocôndrias era diferente nos ratinhos diabéticos. A O-GlcNAc transferase encontra-se normalmente num complexo enzimático inserido nas membranas das mitocôndrias, mas nos roedores diabéticos a maioria tinha migrado para o interior das mitocôndrias.
 
O efeito das alterações na atividade relativa à O-GlcNAc traduz-se na produção menos eficiente de energia nas mitocôndrias, levando a que as mitocôndrias comecem a produzir mais calor e moléculas danificadas como subprodutos do processo. O fígado inicia então um processo antioxidante para neutralizar os chamados radicais livres, que envolve a produção de mais glicose, aumentando ainda mais o açúcar no sangue.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.