Níveis problemáticos de literacia em saúde dos portugueses

Conclusões do projeto “Saúde que Conta”

18 setembro 2014
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“A maioria dos portugueses” possui um “nível problemático ou inadequado de literacia em saúde ”, revela um estudo sobre literacia em saúde.
 
O estudo, que foi o primeiro do género realizado em Portugal, contou com um inquérito feito a 1.004 pessoas e foi desenvolvido no âmbito do projeto “Saúde que Conta” da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), com o apoio de um laboratório, e que teve como base o Questionário Europeu de Literacia em Saúde, apurou a agência Lusa. 
 
Segundo os resultados, no que respeita a prevenção da doença, cerca de 45% da população inquirida revelou ter um nível suficiente ou excelente de literacia em saúde. Relativamente à promoção da saúde, 60,2% dos inquiridos apresenta um nível de literacia problemático ou inadequado, comparativamente com outros países em análise: Espanha, Irlanda, Holanda, Alemanha, Áustria, Grécia, Polónia e Bulgária.
 
Os resultados do questionário, aplicado em Portugal continental e ilhas, revelam, contudo, que “não são somente os grupos vulneráveis que apresentam níveis inadequados de literacia em saúde, mas sim a população em geral”.
 
A investigação apurou que, em Portugal, “à medida que a idade aumenta, o nível de literacia em saúde diminui”. “Observa-se tendencialmente o inverso no que diz respeito ao nível de escolaridade: quanto maior o nível de escolaridade, mais os níveis de literacia em saúde tendem a ser superiores”.
 
Ana Escoval, da ENSP e coordenadora do estudo, considera que os resultados são “uma ferramenta que permite direcionar e alinhar melhor as estratégias e intervenções de literacia em saúde a serem desenvolvidas, não só ao nível nacional, mas também ao nível europeu”.
 
Nos últimos anos, “são cada vez mais os estudos que revelam que um nível inadequado de literacia em saúde tem implicações significativas nos resultados em saúde, na utilização dos serviços de saúde e, consequentemente, nos gastos em saúde”, acrescentou a investigadora.
 
Algumas das consequências dos baixos níveis de literacia em saúde são, segundo o estudo, “uma maior taxa de morbilidade em doenças como diabetes, hipertensão, obesidade e infeção por VIH”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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