Níveis de ruído no Metro de Lisboa podem afetar saúde de utentes

Estudo da Quercus

04 maio 2015
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Os utentes do Metro de Lisboa estão expostos a níveis de ruído que podem afetar a saúde, dando origem a sintomas como cansaço, zumbidos ou aumento do ritmo cardíaco, revela um estudo da Quercus.
 
"Verificámos que em todos os percursos foram medidos níveis médios de ruído superiores a 80 decibéis, o que pode representar um risco para a saúde dos passageiros, sobretudo para os grupos de crianças e idosos e para os operadores do Metropolitano", disse à agência Lusa Mafalda Sousa, da associação de defesa do ambiente.
 
Segundo esta técnica, os troços do metropolitano que apresentaram índices mais elevados de ruído foram "Cais do Sodré–Rossio, Cidade Universitária–Entrecampos, Senhor Roubado–Ameixoeira, Chelas–Oriente e Pontinha–Carnide, com valores que ultrapassaram, na maioria dos casos, os 85 decibéis".
 
A partir dos 70 a 75 decibéis, o corpo humano começa a ter reações ao ruído (físicas, mentais ou emocionais), e "uma exposição de média-longa duração a um ruído intenso pode provocar zumbidos nos ouvidos, aumento da produção de adrenalina, contração dos vasos sanguíneos, aumento da pressão sanguínea e do ritmo cardíaco", explica o estudo da Quercus, ao qual a Lusa teve acesso.
 
As consequências imediatas traduzem-se em dificuldades na comunicação, concentração, fadiga e desconforto, redução do comportamento de ajuda e aumento de irritabilidade, segundo o mesmo documento.
 
O volume do tráfego, a manutenção e a qualidade acústica das infraestruturas e das carruagens ou a amplificação do ruído são fatores que, por se tratar de um canal confinado, aumentam o impacto da exposição ao ruído.
 
Em declarações à agência Lusa, o porta-voz do Movimento de Utentes do Metro de Lisboa, Aristides Teixeira, considerou que o estudo é “muito importante” e “bem-vindo”.
 
Na opinião do porta-voz deste grupo de utentes, a Transportes de Lisboa deve avançar com as medidas necessárias para ajudar a diminuir os níveis de ruído, acatando as sugestões da Quercus.
 
“Contudo, isto entra no reino da fantasia, porque o metro nem sequer tem capacidade de ter em dia a manutenção das estações. Quase diariamente, as pessoas são confrontadas com as escadas avariadas, ou os elevadores e até os torniquetes”, disse.
 
O Metropolitano de Lisboa (ML), em declarações reproduzidas pela Lusa, considerou que o estudo apresentado pela Quercus não é credível nem reconhecida pela legislação portuguesa.
 
“Face à informação disponibilizada sobre o estudo, consideramos que a metodologia utilizada não é credível e que não é reconhecida pela legislação portuguesa. Se, por um lado, os equipamentos e métodos utilizados na medição, nomeadamente o uso de telemóveis, não oferecem credibilidade, por outro, desconhece-se se o estudo foi efetuado por técnico habilitado para o efeito e quais os métodos de medição usados", refere o ML, em comunicado.
 
Entre as medidas sugeridas pela Quercus para reduzir os níveis de ruído no Metro encontram-se a insonorização adequada do habitáculo das carruagens, a adoção de rodas com maior capacidade de amortecimento, sistemas de ventilação mais silenciosos e a redução da propagação do ruído através da escolha correta de materiais, no caso de alargamento futuro da rede do Metro.
 
O estudo realizou-se entre agosto e setembro de 2014 e envolveu uma "avaliação limitada" do ruído nas quatro linhas do Metropolitano de Lisboa, em duas viagens em cada sentido e por cada linha, abrangendo um período de acalmia e um período de hora de ponta, e foi feita uma comparação com os tempos de exposição recomendados pela Organização Mundial de Saúde e pela agência norte-americana que fiscaliza esta área (EPA).
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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