Níveis de oxitocina preveem gravidade da depressão pós-parto

Estudo publicado nos “Archives of Women's Mental Health”

30 março 2016
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Níveis elevados de oxitocina ao longo do terceiro trimestre de gravidez preveem gravidade dos sintomas de depressão pós-parto nas mulheres que tenham sofrido previamente de depressão, sugere um estudo publicado no “Archives of Women's Mental Health”.
 
“Ainda não está pronto para se tornar num teste sanguíneo, mas indica-nos que estamos no bom caminho para ajudar a prever a depressão pós-parto”, revelou, em comunicado de imprensa a líder do estudo, Suena Massey.
 
Esta associação entre os sintomas depressivos e os níveis elevados de oxitocina surpreenderam a investigadora, que esperava que estes estivessem associados a níveis baixos desta hormona. Suena Massey refere que alguns dos estudos têm sugerido que os antecedentes de depressão podem alterar o recetor da oxitocina de forma que este se torne menos eficaz. “Talvez, quando as mulheres começam a sentir sinais precoces de depressão, o organismo produza mais oxitocina para os combater”, referiu a investigadora.
 
Para este estudo preliminar os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Feinberg, nos EUA, recrutaram 66 mulheres grávidas e saudáveis que não estavam deprimidas. Foram medidos os níveis de oxitocina no terceiro trimestre e avaliados os sintomas de depressão seis semanas após o parto. Verificou-se que quanto mais elevados eram os níveis de oxitocina, mais sintomas depressivos as mulheres apresentavam após seis semanas.
 
Os sintomas incluíam acordar muito cedo de manhã e não ser capaz de voltar a dormir, preocupação ou ansiedade, dores, dores de cabeça, alterações dos padrões intestinais, sensação de cansaço ou de peso, alterações no apetite e tristeza.
 
A oxitocina é uma hormona que tem muitas funções no organismo, incluindo no parto e lactação, ligação social, vínculo entre a mãe e filho e controlo do stress. Muitas das mães com depressão pós-parto sentem que estão a falhar como mães, pois acreditam que este deveria ser um momento de felicidade.
 
"Isto diminui a probabilidade de procurarem ou aceitarem ajuda. Se formos capazes de identificar as mulheres que durante a gravidez são mais suscetíveis a desenvolver depressão pós-parto, podemos iniciar um tratamento preventivo”, referiu a investigadora.
 
Os obstetras testam rotineiramente complicações não-psiquiátricas na gravidez, como diabetes gestacional, utilizando biomarcadores facilmente disponíveis. O mesmo deveria ocorrer para os sintomas de depressão associados à gravidez, concluiu Suena Massey.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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