Níveis de glucose elevados associados a perda de memória

Estudo publicado na revista “Neurology”

28 outubro 2013
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Os indivíduos com pressão arterial elevada, mesmo aqueles sem diabetes, apresentam um maior risco de desenvolver problemas cognitivos, sugere um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

Estudos anteriores tinham demonstrado que os indivíduos com diabetes tipo 2 tinham um risco aumentado de desenvolver demência. De acordo com os investigadores da Mayo Clinic, nos EUA, a diabetes é considerada um fator de risco de demência vascular, uma vez que pode causar danos nos vasos sanguíneos. Esta forma de demência é muitas vezes causada pela redução ou bloqueio do fluxo sanguíneo, no cérebro.
 

Agora neste estudo os investigadores da Universidade de Medicina de Charité, na Alemanha, contaram com a participação de 143 indivíduos que tinham uma média de 63 anos, e que não sofriam de diabetes ou de pré-diabetes. Foram excluídos os indivíduos com excesso de peso, que consumiam mais de 3,5 doses de álcool por dia e aqueles que também já apresentavam problemas de memória e raciocínio.
 

Os participantes foram submetidos a testes para medição da glucose e para avaliação da memória. Num destes testes os participantes tinham de se lembrar de uma lista de 15 palavras, 30 minutos após as terem ouvido. Foram também realizadas ressonâncias magnéticas, ao cérebro dos participantes, para medir o tamanho do hipocampo, uma região do cérebro que está associada à memória.
 

O estudo apurou que os participantes com níveis mais baixos de glucose no sangue obtiveram melhores resultados nos testes de memória, comparativamente com aqueles cujos níveis de glucose eram mais elevados.
 

Relativamente ao teste em que os participantes tinham de se recordar das palavras, foi constatado que aqueles com níveis mais elevados de glucose se lembravam de menos palavras. Foi especificamente observado que um aumento de 7mmol/mol do marcador da glucose, HbA1c, estava associado com a recordação de menos duas palavras.
 

Os investigadores verificaram ainda que níveis elevados de glucose estavam associados a um volume do hipocampo e também da integridade microestrutural menores.
 

Na opinião dos investigadores, estes resultados sugerem que as alterações no estilo de vida que têm em vista melhorar, a longo prazo, os níveis de glucose podem ser uma estratégia promissora na prevenção do declínio cognitivo.
 

Desta forma uma das autoras do estudo, Agnes Flöel, aconselha a evitar a obesidade, principalmente na meia-idade, adotar uma dieta rica em fibras, vegetais, proteínas e praticar exercício físico regularmente. A investigadora acrescentou ainda que os indivíduos que se encontram em risco, incluindo as pessoas obesas e com mais de 55 anos, devem ser submetidas a exames regulares como a monitorização da glucose em jejum e dos níveis de HbA1c, para deteção e tratamento precoce dos níveis elevados da glucose.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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