Níveis de colesterol elevados afetam tendões

Estudo publicado no “Journal of Sports Medicine”

20 outubro 2015
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Níveis elevados de colesterol total estão associados a um risco aumentado de anomalias no tendão e dor. O estudo publicado no “Journal of Sports Medicine” sugere que a inflamação crónica de baixo nível, impulsionada pela acumulação de colesterol nas células do sistema imunitário, pode ter um papel chave.
 
Os tendões são fibras resistentes que ligam os músculos e ossos no corpo. O stress mecânico, resultante da obesidade ou da distribuição da gordura corporal em excesso, e a utilização excessiva (durante a prática de exercício ou trabalho) são as principais causas dos danos nos tendões (tendinopatia). Contudo, na opinião dos investigadores, estes fatores não explicam uma quantidade significativa de casos.
 
Os indivíduos que por razões genéticas têm níveis muito elevados de colesterol (hipercolesterolemia familiar) parecem estar em maior risco de dor nos tendões. Contudo, até à data ainda não estava claramente definido se indivíduos com níveis mais baixos, mas ainda considerados elevados, são mais vulneráveis a danos nos tendões.
 
Neste estudo, os investigadores da universidade de Camberra, na Austrália, decidiram procurar trabalhos que tinham analisado a ligação entre gorduras presentes no sangue e anomalias e dor nos tendões. No total, foram identificados 17 estudos que envolveram 2.612 participantes.
 
Os investigadores apuraram que, comparativamente com os indivíduos com uma estrutura normal dos tendões, aqueles com uma estrutura afetada tinham um perfil lipídico significativamente mais desfavorável. Estes indivíduos apresentavam níveis significativamente mais elevados de colesterol total, incluindo níveis elevados de colesterol LDL (“mau” colesterol), níveis baixos de colesterol HDL (“bom” colesterol) e níveis elevados de triglicerídeos.
 
Adicionalmente verificou-se que os indivíduos com um perfil lipídico pouco favorável tinham um maior risco de danos nos tendões e níveis mais elevados de dor associados a problemas musculoesqueléticos nos braços. Dois dos três estudos que analisaram a espessura do tendão de Aquiles constataram que os indivíduos com um perfil lipídico desfavorável tinham tendões mais densos comparativamente com aqueles com níveis lipídicos dentro de um limite normal.
 
Os investigadores chamam a atenção para o facto de estes serem resultados observacionais, não sendo, por isso, possível obter conclusões definitivas sobre a causa e efeito. No entanto, na sua opinião, estes resultados sugerem que um perfil lipídico pobre pode ser prejudicial para os tendões, uma vez que os indivíduos com hipercolesterolemia familiar têm a estrutura dos tendões alterada na infância e adolescência, enquanto um tratamento agressivo para diminuição dos níveis de colesterol diminuem a espessura do tendão. 
 
Os níveis elevados de colesterol são também conhecidos por estimular a acumulação de colesterol nas células do sistema imunológico, que por sua vez conduzem a inflamação crónica de baixo nível. Comparativamente com os indivíduos sem lesões do tendão, aqueles com tendinopatia têm números aumentados destas células imunes nos tendões.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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