Níveis de colesterol e sua relação com nível socioeconómico

Estudo publicado na revista “BMC Public Health”

02 setembro 2014
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Os níveis de colesterol são diferentes em indivíduos com níveis socioeconómicos diferentes e surpreendentemente dispares entre os homens e as mulheres, revela um estudo publicado na revista “BMC Public Health”.
 
Para o estudo, os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, contaram com a participação de 22.451 indivíduos com idades compreendidas entre os 39 e os 79 anos. Foram recolhidas informações sobre o consumo de álcool e calculado o índice de massa corporal. 
 
Os participantes preencheram um questionário para medição do estatuto socioeconómico, o qual teve em consideração três fatores: classe social, nível de educação e nível de carência do local da habitação. Foram também realizadas análises sanguíneas para determinação dos níveis de colesterol total, colesterol HDL, colesterol LDL e triglicerídeos. 
 
O estudo apurou que, no geral, as mulheres tinham níveis de colesterol total mais elevados que os homens. Nos homens, o estatuto socioeconómico não apenas foi inicialmente associado ao nível de colesterol total, mas após terem tido em conta a idade, os investigadores verificaram que os homens que tinham profissões manuais apresentavam níveis de colesterol total mais baixos que aqueles com profissões não manuais. Verificou-se que as mulheres com níveis de educação menores apresentavam níveis de colesterol total mais elevados comparativamente com as outras mulheres. 
 
Ao analisarem os níveis de colesterol HDL, o chamado “bom” colesterol, os investigadores verificaram que as mulheres também apresentavam níveis mais elevados que os homens. Os homens com níveis de educação e classes ocupacionais mais elevadas apresentavam níveis de colesterol HDL mais elevados. Contudo, quando os investigadores tiveram em conta o consumo de álcool, esta associação deixou ser significativa. 
 
Relativamente ao colesterol LDL, o “mau” colesterol, verificou-se mais uma vez que as mulheres apresentavam níveis mais elevados que os homens. As mulheres com baixas qualificações académicas, tinham níveis de colesterol LDL significativamente maiores comparativamente com as restantes. A classe ocupacional e o nível de carência não foi associado aos níveis de colesterol LDL nas mulheres. Não foram observadas associações entre os três índices socioeconómicos e os níveis de colesterol LDL nos homens.
 
“Observamos diferenças de sexo nos padrões lipídicos, tendo em conta a classe social e a educação. A associação de alguns parâmetros lipídicos adversos com a classe social e, em particular, o nível de educação foi mais forte nas mulheres que nos homens”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Kay-Tee Khaw.
 
A investigadora acrescentou que são necessários mais estudos para explorar as razões das diferenças entre os sexos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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