Níveis baixos de oxigénio contribuem para o crescimento do cancro

Estudo publicado na revista “Nature”

22 agosto 2016
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A falta de oxigénio nas células tumorais altera a expressão genética das células, contribuindo para o crescimento do tumor, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Leuven, na Bélgica, também indica que a manutenção adequada do fornecimento de oxigénio nos tumores inibe as aberrações epigenéticas. Na opinião dos investigadores estes achados poderão conduzir a novos fármacos anticancerígenos que tenham por alvo as aberrações epigenéticas ou os vasos sanguíneos.
 

O cancro surge devido ao acaso ou a fatores carcinogénicos, que fazem com que o ADN de uma única célula fique mutada e se expanda rapidamente para outras células. Estas mutações genéticas alteram a função celular, mas são benéficas para o crescimento e sobrevivência das células cancerígenas. Para além destas alterações genéticas, as células tumorais são epigeneticamente diferentes.
 

Apesar de as alterações epigenéticas não afetarem o código genético podem perturbar consideravelmente a função dos genes e beneficiar as células cancerígenas. Contudo até à data, ainda não se conheciam ao certo as origens destas alterações epigenéticas.
 

No estudo os investigadores liderados por Diether Lambrechts e Bernard Thienpont avaliaram uma das alterações epigenéticas mais frequentes, a hipermetilação, que é capaz de silenciar a expressão de genes supressores tumorais o que permite o crescimento excessivo dos tumores.
 

Os investigadores constataram que estas alterações epigenéticas são causadas pelo ambiente tumoral, mais concretamente pela falta de oxigénio – hipoxia. O oxigénio é necessário para as enzimas que habitualmente removem os grupos metilo do ADN. Assim, a presença de níveis baixos de oxigénio conduz à hipermetilação.
 

Diether Lambrechts refere que a hipoxia explica cerca de metade da hipermetilação nos tumores. “Apesar de termos dedicado muitos esforços aos tumores da mama, também demonstrámos que este mecanismo tem um impacto similar nos tumores da bexiga, do cólon, da cabeça e pescoço, rins, pulmão e do útero”, referiu o investigador.
 

A descoberta entre a hipoxia e o crescimento tumoral teve por base a análise de mais de três mil tumores de pacientes. Através de experiências realizadas em ratinhos, os investigadores constataram que as alterações epigenéticas poderiam ser impedidas através da normalização do fornecimento de sangue.
 

De acordo com Bernard Thienpont, estes novos achados podem ter um grande impacto no controlo do cancro, uma vez que as aberrações epigenéticas podem ser utilizadas para monitorizar o fornecimento de oxigénio ao tumor e permitir prever, com maior precisão, o comportamento tumoral e adotar decisões terapêuticas mais informadas. Adicionalmente, com este estudo ficamos mais esclarecidos sobre as terapias existentes que têm por alvo os vasos sanguíneos, as quais não ajudam apenas a administrar a quimioterapia, mas também inibem novas aberrações epigenéticas. “Isto pode ajudar a tornar as recidivas menos agressivas”, concluiu o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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