Níveis baixos de colesterol nas células imunes abradam infeção por VIH

Estudo publicado na “mBio”

02 maio 2014
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A progressão da infeção do VIH é mais lenta nos indivíduos com níveis baixos de colesterol em determinadas células do sistema imune, defende um estudo publicado na revista “mBio”.
 

“Um aspeto fascinante da epidemia da SIDA é o facto de uma pequena percentagem de indivíduos infetados com o VIH 1 manterem, ao longo de vários anos, um número relativamente normal de linfócitos TCD4 e uma baixa carga viral, mesmo sem serem tratados com terapia antiviral”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Giovanna Rappocciolo.
 

Quando o VIH entra no organismo é tipicamente reconhecido pelas chamadas células apresentadoras do antigénio que incluem nomeadamente as células dendríticas e os linfócitos B. Estas células transportam os vírus para os nódulos linfáticos e transferem-no para outras células do sistema imune, os linfócitos T. Este processo é conhecido por infeção trans. Contudo, o VIH utiliza estes mesmos linfócitos para se replicar e aumentar a carga viral.
 

Mesmo sem o recurso à terapia antirretroviral, aproximadamente um em cada 20 indivíduos infetados com VIH não apresenta níveis aumentados de VIH após a infeção inicial. Na verdade podem passar alguns anos sem o vírus comprometer seriamente o sistema imunológico ou conduzir à SIDA.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, compararam as células apresentadoras de antigénios provenientes de três grupos distintos de indivíduos: não infetados, infetados mas sem progressão da infeção e infetados com progressão da infeção. O estudo apurou que as células dos indivíduos do grupo de controlo e daquele em que a infeção progrediu eram altamente eficazes na mediação da infeção trans, comparativamente com aquelas encontradas nos indivíduos em que a infeção não progrediu. Foi posteriormente observado que estas células tinham níveis de colesterol mais baixos, apesar de os pacientes terem níveis normais de colesterol no sangue.
 

Os investigadores constataram também que a infeção trans poderia ser restaurada através da restituição dos níveis de colesterol nestas células. Por outro lado, a infeção trans poderia ser inibida através da redução dos níveis de colesterol nas células apresentadoras de antigénios dos pacientes em que a infeção progredia.
 

“Esta anomalia no metabolismo do colesterol não é uma consequência direta da infeção, parece ser um traço hereditário presente numa baixa percentagem de indivíduos. Conhecer como este processo funciona poderá conduzir ao desenvolvimento de novas abordagens capazes de impedir a progressão da infeção por VIH”, conclui Giovanna Rappocciolo.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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