Níveis altos de bom colesterol não são bons para todos

Estudo publicado na revista “Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology”

10 junho 2010
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Embora pensemos que um nível elevado do bom colesterol (HDL- lipoproteína de alta densidade) seja sempre bom para a saúde, um estudo publicado na revista “Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology”, refere que nem sempre é o caso.

 

O estudo, liderado por James Corsetti, da University of Rochester Medical Center, nos EUA, partiu da constatação de que alguns pacientes com níveis altos de HDL tinham uma maior propensão a sofrerem de episódios cardíacos, como dor no peito, enfarte agudo do miocárdio e, eventualmente, morte.

 

Estes dados ajudam a explicar a razão pela qual os ensaios clínicos realizados em 2006 com o torcetrapib, um fármaco da Pfizer destinado a aumentar os níveis de bom colesterol, foram suspensos, devido a um número surpreendentemente excessivo de problemas cardiovasculares e mortes entre os voluntários.

 

Agora, neste estudo, os cientistas confirmaram que os níveis altos de HDL estão, na verdade, associados ao risco de problemas cardiovasculares num certo grupo de pacientes.

 

De acordo com a investigação, os doentes que não beneficiam com os níveis elevados de HDL apresentam altos níveis da proteína C-reactiva (PCR), um marcador conhecido da inflamação. Mas os investigadores identificaram ainda mais dois factores genéticos implicados no risco cardiovascular: a actividade da proteína de transferência de ésteres de colesterol (CETP) – que expulsa o colesterol do sistema vascular e está associada ao bom colesterol – e a p22phox – que influencia os processos relacionados com a inflamação e que está associada à PCR.

 

“A capacidade de identificar os pacientes que não irão beneficiar dos esforços para aumentar o HDL é importante porque podem ser excluídos dos testes de medicamentos destinados a aumentar o bom colesterol”, assinala o co-autor do estudo, Charles Sparks, acrescentando que, com esses pacientes excluídos, os estudos poderão verificar se o aumento dos níveis de HDL na população é eficaz na redução do risco de doença cardiovascular.

 

Por seu turno, James Corsetti, líder do estudo, salienta que esta investigação representa um passo mais em direcção a uma medicina personalizada, uma vez que “identificar estes pacientes e determinar o que faz com que sejam de alto risco pode ser útil para escolher tratamentos adequados às necessidades específicas de grupos particulares de pacientes”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

 

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