Nicotina e cocaína deixam marcas semelhantes no cérebro após o primeiro contacto

Estudo publicado no "The Journal of Neuroscience”

10 maio 2011
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A nicotina e a cocaína deixam uma marca semelhante no cérebro depois da primeira exposição, de acordo com um estudo realizado pela University of Chicago Medical Center, EUA, publicado na revista "The Journal of Neuroscience”. Os autores descobriram que os efeitos da nicotina sobre as regiões do cérebro envolvidas no vício são semelhantes aos da cocaína.

 

O trabalho mostrou que uma única exposição de 15 minutos à nicotina causou um aumento, a longo prazo, na excitabilidade dos neurónios envolvidos no sistema cerebral relacionado com a recompensa. Os resultados sugerem que a nicotina e a cocaína produzem mecanismos semelhantes de memória no seu primeiro contacto e criam mudanças duradouras no cérebro do indivíduo.

 

Nas experiências efectuadas, os investigadores monitorizaram a actividade eléctrica dos neurónios numa região do cérebro chamada área tegmental ventral (ATV), dissecando o cérebro de ratos adultos. Cada secção é introduzida por 15 minutos numa solução com uma concentração de nicotina semelhante ao montante que poderá atingir o cérebro depois de fumar um único cigarro. Passadas 3 a 5 horas, os cientistas realizaram estudos electrofisiológicos para detectar a presença da plasticidade sináptica e determinar quais os neurotransmissores envolvidos no seu desenvolvimento.

 

Os resultados mostraram que a plasticidade sináptica induzida pela nicotina na área tegmental ventral depende de um dos alvos habituais da droga: um receptor para o neurotransmissor acetilcolina, localizado nos neurónios da dopamina. No entanto, os autores ficaram surpreendidos ao descobrir que no processo também era necessária a participação dos receptores de dopamina D5, um componente envolvido no início da dependência à nicotina. Ao bloquear qualquer desses receptores durante a exposição à nicotina é eliminada a possibilidade da droga produzir alterações persistentes na excitabilidade.

 

Segundo os autores, embora os efeitos subjectivos da nicotina e da cocaína sejam muito diferentes nos seres humanos, os efeitos das duas drogas no sistema de recompensa do cérebro podem explicar por que ambas são substâncias tão viciantes.

 

Os cientistas também verificaram que tanto a nicotina como a cocaína afectam o receptor D5 o que também pode ser uma nova estratégia para prevenir ou tratar a dependência. No entanto, os bloqueadores conhecidos na actividade do receptor também bloqueiam outros receptores de dopamina, o D1, que é importante para a motivação e para os movimentos normais. Segundo os investigadores, estes dados poderão conduzir a novos fármacos que combatam o vício.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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