Neuroprótese melhora capacidade de marcha nos pacientes com AVC

Estudo publicado no “American Journal of Physical Medicine & Rehabilitation”

02 junho 2016
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Uma neuroprótese implantada cirurgicamente melhorou substancialmente a rapidez e distância da marcha de um paciente com mobilidade limitada após um acidente vascular cerebral (AVC), dá conta um estudo publicado no “American Journal of Physical Medicine & Rehabilitation”.
 

Os investigadores do Centro Médico de Assuntos de Veteranos de Cleveland Louis Stokes, nos EUA, implantaram a neuroprótese num indivíduo com 64 anos com função motora e sensibilidade da perna e pé esquerdo afetada após um AVC hemorrágico. Após avaliação minuciosa, o paciente foi submetido a uma cirurgia onde foi colocado um gerador de impulsos implantável e elétrodos de estimulação intramuscular nos músculos da anca, joelho e tornozelo.
 

Posteriormente, foi criado um programa de estimulação elétrica personalizado para ativar os músculos, com o objetivo de restaurar um padrão de marcha mais natural. O paciente foi submetido a um treino extenso, ao longo de vários meses, após a colocação da neuroprótese.
 

Os investigadores verificaram que o paciente apresentou melhorias significativas na velocidade e na distância da marcha. A velocidade de marcha aumentou de 0,29 metros por segundo (m/s) antes da cirurgia, para 0,35 m/s após o treino, mas sem estimulação muscular. Contudo, quando a estimulação muscular foi ativada, a velocidade da marcha aumentou drasticamente para 0,72 m/s. Uma análise mais detalhada da capacidade de marcha também demonstrou que o paciente adquiriu uma marcha mais simétrica e dinâmica.
 

O estudo apurou ainda que o paciente foi capaz de caminhar uma maior distância, tendo inicialmente andado 76 metros antes de se sentir cansado. Após o treino, mas sem estimulação, o paciente foi capaz de andar cerca de 300 metros, em 16 minutos. Com estimulação, a distância máxima percorrida pelo paciente foi de 1.400 metros, em 41 minutos.
 

“A distância da marcha aumentou 370% com a estimulação, enquanto a velocidade da marcha duplicou”, referiram em comunicado de imprensa os investigadores.
 

Apesar de o paciente não estar a andar com estimulação fora do laboratório, a sua capacidade de marcha na vida quotidiana melhorou significativamente.
 

"O efeito terapêutico é provavelmente um resultado do condicionamento muscular durante o exercício estimulado e o treino da marcha. A utilização persistente do dispositivo durante a caminhada pode proporcionar uma formação contínua que mantém tanto o condicionamento muscular como a saúde cardiovascular”, referiram os investigadores.
 

Apesar de os resultados serem animadores, os cientistas referem que são necessários mais estudos de maior dimensão para demonstrar a aplicabilidade da neuroprótese para o controlo de várias articulações.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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