Neurónios reagem ao placebo

Cientistas encontram provas do que se acreditava há décadas

18 maio 2004
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Afinal, o que muitos médicos calculavam está agora comprovado cientificamente. Pela primeira vez na História, um grupo de cientistas italiano observou o comportamento individual dos neurónios respondendo a placebos --soluções sem princípio activo – – como se tivessem recebido uma droga verdadeira. De acordo com artigo publicado no fim-de-semana na on-line da revista «New Scientist», cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Turim, na Itália, administraram uma simples solução salina em pacientes com a doença de Parkinson. Mesmo assim, os neurónios dos pacientes responderam exactamente da mesma maneira do que quando tinham recebido uma droga para aliviar os sintomas da doença. Estudos anteriores já tinham mostrado que os placebos aumentam os níveis cerebrais de dopamina --um neurotransmissor benéfico.Mas, segundo  Benedetti, «esta foi a primeira vez que observamos a reacção individual das células». O cientista explicou que as mudanças observadas também são induzidas pela libertação de dopamina. Os doentes de Parkinson sofrem de falta de dopamina no cérebro. Por isso, algumas drogas que imitam a substância, como a apomorfina, aliviam os sintomas da doença, como rigidez muscular, tremores e movimentos vagarosos. Embora não sugira métodos alternativos para o alívio dos sintomas da doença, a equipa de Benedetti demonstrou que uma simples solução salina pode ter o mesmo resultado. Para chegar à conclusão, os cientistas começaram por condicionar os pacientes dando-lhes três doses de apomorfina. Depois, a equipa implantou eléctrodos no núcleo subtalâmico de cada paciente. Cada um destes eléctrodos carregava sensores capazes de monitorizar a actividade de cerca de cem neurónios. Durante a implantação, na qual os pacientes permaneceram acordados, os cientistas  administraram o placebo e descobriram que induzia o mesmo efeito calmante da apomorfina.De acordo com Benedetti, não há possibilidade de que os traços residuais de apomorfina tenham alterado o resultado, já que a droga tem efeito de apenas uma hora e a última dose recebida pelos pacientes tinha sido dada 24 horas antes do procedimento. Por isso, o cientista sugere duas possíveis explicações para os efeitos do placebo. A primeira é a hipótese cognitiva, pela qual os efeitos psicológicos são despertados pela expectativa de o paciente receber benefícios. A segunda é a clássica resposta condicionante, descoberta em 1889 pelo psicólogo russo Ivan Pavlov, que induziu cachorros a salivar por alimentos pelo simples toque de um sino. «O contexto em torno da terapia pode induzir a uma resposta como esta», acredita Benedetti. Para o futuro o trabalho é investigar se as células cerebrais reagem positivamente ao placebo em doentes de Parkinson «ingénuos», isto é, que não foram condicionados com drogas genuínas.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalista MNI-Médicos Na Internet

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