Neurónios intestinais ajudam a impedir inflamação excessiva

Estudo publicado na revista “Cell”

27 janeiro 2016
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Os neurónios no intestino parecem trabalhar conjuntamente com um tipo de células imunitárias de forma a proteger os tecidos da inflamação excessiva. O estudo publicado na revista “Cell” pode ter implicações importantes nas doenças gastrointestinais como a síndrome do cólon irritável.
 
O revestimento do intestino humano tem uma área de superfície total de cerca de 300 m2. Esta é a maior superfície do organismo que é exposta a potenciais agentes patogénicos. Diariamente, o intestino absorve cerca de 100 g de proteínas através da dieta e alberga cerca de 100 triliões de bactérias benéficas.
 
De forma a manter uma proteção imunitária de uma área tão extensa, existem mais leucócitos no intestino do que no restante corpo humano. Neste estudo os investigadores da Universidade de Rockefeller, nos EUA, focaram-se em dois tipos de leucócitos conhecidos como macrófagos: os macrófagos da lâmina própria que podem ser encontrados perto do revestimento do intestino, estando assim perto dos alimentos ingeridos e os macrófagos da camada muscular do intestino que se encontram numa camada mais interna do tecido.
 
Através da utilização de um sistema de imagens 3D, os investigadores foram capazes de analisar as diferenças nas estruturas celulares dos dois tipos de macrófagos. Para além de terem constatado que havia diferenças na estrutura e no movimento das células, os investigadores verificaram que os neurónios intestinais estavam rodeados pelos macrófagos. 
 
O estudo apurou também que na presença de uma infeção os macrófagos da lâmina própria expressavam preferencialmente genes pró-inflamatórios, enquanto os macrófagos da camada muscular expressavam genes anti-inflamatórios. Posteriormente, os investigadores verificaram que os neurónios do intestino estavam envolvidos na resposta distinta das duas populações de macrófagos à infeção.  
 
Os investigadores constataram que os macrófagos da camada muscular do intestino expressavam recetores à sua superfície que lhes permitia responder à norepinefrina, uma substância sinalizadora produzida pelos neurónios. A presença deste recetor pode indicar um mecanismo através do qual os neurónios controlam a inflamação.
 
O estudo apurou ainda que este tipo de macrófagos são ativados mais rapidamente através dos neurónios, do que por outras células imunitárias. Os investigadores sugerem que estes achados explicam por que motivo estes macrófagos conseguem responder tão rapidamente à infeção, uma ou duas horas após, apesar de estarem tão profundamente embebidos na parede intestinal e longe da fonte de infeção.
 
“Agora temos uma noção mais clara de como a comunicação entre os neurónios e macrófagos no intestino ajuda a impedir os danos potenciais da inflamação. É possível que uma infeção grave possa interromper esta via, conduzindo a danos nos tecidos e alterações gastrointestinais permanentes que estão presentes em doenças como a síndrome do intestino irritável. Estes resultados podem ser, no futuro, aproveitados para desenvolver tratamentos para este tipo de doenças”, revelou, em comunicado de imprensa, Daniel Mucida.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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