Neurónios com personalidade

Células cerebrais têm perfil eléctrico próprio

17 março 2004
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Já imaginou que os seus neurónios também possuem personalidade própria? É verdade, e é esta diferença entre as células que promete dar pistas aos cientistas sobre as causas e os possíveis tratamentos de doenças mentais e do sistema nervoso.Essas células do sistema nervoso, os neurónios, podem ser classificadas em pelo menos 15 tipos, de acordo com o seu comportamento. E cada neurónio tem uma personalidade eléctrica. Durante um simpósio efectuado no Brasil, Henry Markram, investigador do Instituto do Cérebro e da Mente, em Lausanne, na Suíça, apresentou um estudo recente sobre as características individuais dos neurónios. A transmissão dos sinais nervosos é um fenómeno físico-químico, que envolve sinais eléctricos que interagem com mensageiros químicos conhecidos como «neurotransmissores».Os neurónios podem ser classificados por esse perfil eléctrico --por exemplo, se «disparam» rapidamente ou se o fazem com uma pequena espera inicial--, e também pelos genes que activam.A equipa liderada por Markram comparou esses dois perfis, e notou que havia uma correspondência entre eles --de modo que, sabendo o comportamento eléctrico, por exemplo, é possível deduzir o padrão de activação dos genes.O número, o tipo, os contactos dos neurónios entre si. Tudo, porque, justificou o cientista «os neurónios são muito promíscuos» e permitem deduzir regras sobre o seu comportamento. E isto possibilita estudar «como podem mudar em diferentes tipos de doenças». Já existem algumas indicações de que esses circuitos cerebrais deficientes estariam por trás de problemas como o autismo, afirmou Markram. «É como um micro-computador com problemas, que nós tentamos descobrir quais são».Apesar desta semelhança com o que acontece num computador avariado, nenhuma estrutura computacional existente imita o que se passa no cérebro humano, lembrou o especialista. Única é a capacidade do cérebro humano de associar episódios acontecidos em momentos distintos --como algo passado há dois segundos, há dois minutos ou há dois anos simultaneamente.Por trás destas capacidades está a área do cérebro que mais evoluiu e que produziu as diferenças entre o homem e outros mamíferos, o chamado neo-córtex, que responde por 80 por cento do cérebro do ser humano moderno. Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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