Neurónios ativados produzem proteína protetora contra doenças neurodegenerativas

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

26 agosto 2015
  |  Partilhar:

Os neurónios ativados produzem uma proteína que protege contra a morte das células nervosas. O estudo publicado na revista “Cell Reports” descobriu como este efeito ocorre e identificou uma molécula neuroprotetora chave neste processo.
 

A morte das células nervosas, como resultado de um acidente vascular cerebral, doença de Alzheimer ou através de processos associados à idade, pode resultar em falhas de memória consideráveis. Estudos anteriores realizados pelos investigadores da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, demonstraram que a atividade cerebral contrariava a morte das células nervosas.
 

Os investigadores constataram que o recetor NMDA, ativado por neurotransmissores bioquímicos, desempenhava um papel importante a nível molecular. Devido à atividade neuronal, o recetor NMDA causa a entrada de cálcio dentro das células. O sinal do cálcio é disseminado na célula, invade o núcleo celular e ativa um programa de proteção genético. Contudo, apesar de terem descoberto, já há alguns anos atrás, este programa induzido pelo cálcio, os investigadores ainda não tinham compreendido como é que este conduzia a um escudo protetor.
 

Neste estudo os investigadores, liderados por Hilmar Bading, descobriram a explicação para este efeito ao estudar mais uma vez os recetores NMDA. Verificou-se que se os recetores não estivessem localizados nas junções neuronais, ou seja nas sinapses, não contribuíam para a proteção das células. Na verdade conduziam a danos severos nas células nervosas e causavam a sua morte.
 

“A vida e a morte estão apenas a alguns milésimos de milímetros de distância uma da outra”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador. O estudo apurou que os recetores NMDA tóxicos que não se encontram nas sinapses são suprimidos através da atividade cerebral. Verificou-se que a proteína ativina A tinha um papel chave na ativação deste processo.
 

A ativina A desempenha um papel importante, nomeadamente, no ciclo menstrual e na cicatrização de feridas. Esta proteína é produzida no sistema nervoso devido à atividade neuronal, conduzindo a uma redução nos recetores NMDA que se encontram fora das sinapses e construindo um escudo protetor.
 

A ativina A também medeia as propriedades protetoras bem conhecidas do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), uma molécula de sinalização que protege os neurónios e sinapses existentes, e ajuda a desenvolver novos. "A ativina A pode, portanto, ser considerado como um ativador essencial de um mecanismo neuroprotetor comum no cérebro”, referiu o investigador.
 

Estes resultados podem abrir novas perspetivas para o tratamento de doenças degenerativas do sistema nervoso. Estudos realizados em ratinhos demonstraram que a ativina A foi capaz de reduzir significativamente os danos cerebrais após um acidente vascular cerebral. "Os nossos resultados também indicam que a ativina A pode, possivelmente, ser utilizada para tratar a doença de Alzheimer ou doença de Huntington”, conclui Hilmar Bading.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.