Neuroblastoma: novo anticorpo mostra-se promissor

Estudo publicado no “Journal of Clinical Oncology”

13 maio 2014
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A administração de um anticorpo monoclonal experimental a crianças com neuroblastoma em estado avançado foi capaz de diminuir o tumor ou, temporariamente, impedir a progressão da doença em 15 crianças, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Oncology”.

 

O neuroblastoma é um cancro do sistema nervoso simpático mais comummente diagnosticado no primeiro ano de vida. Apesar de alguns pacientes apresentarem taxas de cura de 90% ou mais, o cenário não é muito favorável para os pacientes com elevado risco, incluindo aqueles onde a doença se disseminou. Desta forma são urgentemente necessários novos tratamentos para estes pacientes

 

Neste ensaio clínico em fase I, os investigadores do St. Jude Children's Research Hospital, nos EUA, contaram com a participação de pacientes voluntários cujo cancro recidivou ou não respondeu ao tratamento habitual, que no caso do neuroblastoma inclui a cirurgia, quimioterapia, radiação e transplante de medula óssea.

 

A 38 pacientes foram assim administradas nove diferentes doses de um anticorpo monoclonal, denominado por hu14.18K322A. A cada 28 dias, os pacientes receberam uma infusão de anticorpo, uma vez por dia, durante quatro dias. Tal como outros anticorpos utilizados no âmbito da imunoterapia, o seu desenvolvimento tem como objetivo ativar o sistema imunitário de defesa do organismo para que as células tumorais sejam atacadas e eliminadas.

 

O hu14.18K322A foi desenhado para reconhecer e ligar-se a uma molécula, denominada por antigénio GD2, que está presente na maioria das células do neuroblastoma, assim como em células de outros tumores, como as do melanoma e do osteossarcoma.

 

O estudo apurou que dos 31 pacientes avaliados após duas rondas de tratamento, a doença estabilizou em nove, os tumores diminuíram em dois e foram também indetetáveis em quatro dos pacientes. “ Quatro pacientes estão vivos após mais de dois anos e meio sem terapia adicional”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Fariba Navid.

 

Os investigadores referem que a dor foi o efeito secundário mais associado ao tratamento com hu14.18K322A. Apesar de 68% dos pacientes terem tido dores intensas durante a primeira ronda de tratamento, a investigadora refere que a dor era controlável com medicação e resolvida no prazo de 24 horas após a administração do anticorpo. A dor diminuiu também a cada ronda de terapia.

 

“Esta foi a primeira vez que este anticorpo experimental foi testado. Estamos bastante entusiasmados com a resposta. A percentagem de pacientes que beneficiou do tratamento é pouco habitual para um ensaio clínico em fase I”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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