Neandertais eram espécie à parte entre os hominídeos

Novo estudo publicado na Nature

28 abril 2004
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Os Neandertais constituíam uma espécie à parte na história dos hominídeos, diferente da dos homens modernos («Homo sapiens»), afirmam dois cientistas num estudo divulgado pela revista Nature.Segundo esta investigação, feita a partir de uma análise comparativa de dentes de Neandertais, o crescimento dessa espécie foi mais rápido, já que os indivíduos passavam mais depressa pela adolescência e ficavam adultos aos 15 anos.O estudo foi realizado por Fernando Ramirez Rozzi, do Centro nacional de Investigação Científica de França, e José Maria Bermudez de Castro, do Museu Nacional das Ciências Naturais de Madrid, com base na constatação de que o crescimento dentário está estreitamente ligado ao desenvolvimento geral de um indivíduo.Por esse motivo, explicam, o estudo do crescimento dentário permite estimar o tipo de crescimento que caracteriza cada espécie. O esmalte dentário cresce por camadas sucessivas, sendo produzido pelos ameloblastos, cuja actividade secretora varia segundo o ritmo circadiano.Amplificadas, estas camadas formam de sete em sete dias, em média, micro-estruturas chamadas «estrias de Retzius» observáveis no exterior do dente, ou coroa, em incisões sucessivas. Na análise comparativa, os investigadores estudaram fósseis de dentes de várias espécies de hominídeos: «Homo antecessor» (seis dentes com 800 mil anos), «Homo heidelbergensis» (106 dentes com 500a 400 mil anos), «Homo neanderthalensis» (146 dentes com 130 a 28 mil anos) e «Homo sapiens» (100 dentes com 20 a oito mil anos).Desde a sua descoberta, em 1856, que o Homem de Neandertal constitui um enigma para os cientistas: terá essa espécie desaparecido, suplantada pelo Homem «moderno», o «Homo sapiens», ou ter-se-ão misturado? O debate não está encerrado.E mais do que as diferenças morfológicas entre as duas espécies tradicionalmente assinaladas ou do que a descontinuidade genética constatada em trabalhos recentes, o estudo comparado do crescimento dentário prova, segundo os dois cientistas, que o Homem de Neandertal constituía realmente uma espécie: os seus indivíduos não podiam reproduzir-se com os de outro grupo.Fonte: Lusa

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