Nascem 17 bebés prematuros diariamente em Portugal

Taxas de nascimentos prematuros são muito elevadas

06 junho 2016
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Em Portugal nascem diariamente cerca de 17 bebés prematuros, que representam quase oito por cento do total de nascimentos.
 

O livro “Viver a prematuridade”, da autoria da jornalista Cláudia Pinto, mostra que as taxas de nascimentos prematuros são muito elevadas e sem tendência para descer, com níveis “muito altos” comparativamente aos registados na Europa.
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, em 2014, nasceram 6.393 bebés pré-termo (antes das 37 semanas de gestação) e, destes, 816 (cerca de 1%) eram muito prematuros (com menos de 32 semanas). É precisamente nestes bebés muito pré-termo que se verifica o maior risco de mortalidade neonatal.
 

A prematuridade pode ser causada por vários fatores, como a idade materna avançada, o baixo nível socioeconómico, o consumo de álcool e tabaco em excesso, história anterior de parto pré-termo, gravidez múltipla, alterações da quantidade de líquido amniótico, infeções, hemorragias e malformações uterinas, restrição do crescimento fetal e ainda diversos problemas de saúde materna, como a obesidade.
 

A pediatra e antiga ministra da Saúde, Ana Jorge, uma das especialistas a prestar declarações para o livro, elogia o acompanhamento neonatal feito em Portugal quer aos bebés quer às famílias. Contudo, considera faltar organizar melhor o acompanhamento posterior a estas famílias.
 

“Nem em todos os locais existem centros de desenvolvimento com equipas multidisciplinares dedicadas que façam acompanhamento posterior aos bebés prematuros, com enfoque nas necessidades das famílias”, referiu a pediatra.
 

As unidades de seguimento dos prematuros após a alta não estão organizadas da mesma forma em todo o país. Há hospitais, como o caso do Garcia de Orta, em que uma equipa multidisciplinar faz a vigilância periódica das crianças prematuras, geralmente até aos oito anos.
 

Apesar de o grupo de maior risco de desenvolvimento de complicações ser o dos prematuros antes das 32 semanas, os bebés entre as 34 e as 36 semanas preocupam especialmente Ana Jorge.
 

“Os partos destes bebés são muitas vezes provocados, o que não é aconselhável. Os bebés não estão ainda completamente desenvolvidos e o desencadeamento de um parto não é um processo natural, a evitar antes das 40/41 semanas. Deve ser o bebé a ditar o momento em que deve nascer. Muitas vezes, os partos previstos ou marcados antes de haver sinais de que chegou o final da gravidez levam a um nascimento antecipado, com um aumento de problemas no período neonatal precoce, quando comparados com os de termo”, refere-se no livro “Viver a prematuridade.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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