Napoleão morreu de cancro

Nova investigação rejeita teoria do envenenamento

29 outubro 2002
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Napoleão morreu de cancro no estômago, afirma uma equipa de cientistas franceses, contrariando a tese de envenenamento com arsénico e pondo termo a uma polémica que se arrasta há mais de 40 anos.
 

 

A revista mensal Science et Vie, que dedica na edição de Novembro um dossier completo a esta dúvida histórico-médica, deu carta branca a três cientistas franceses para analisarem madeixas de cabelo do Imperador, recolhidas após a sua morte (1821), mas também enquanto vivo, em 1805 e 1814, antes chegar ao local onde esteve exilado no Atlântico sul (Santa-Helena).
 

 

Todas as análises conduzidas até hoje mostravam de facto uma concentração anormal de arsénico nas madeixas imperiais. "A concentração de arsénico encontrada nos cabelos de Napoleão é entre 7 a 38 vezes superior às normas, indiciando sem contestação uma intoxicação", indicava em Junho de 2001 Pascal Kintz, do Instituto médico-legal de Estrasburgo, que investigou as amostras de cabelo juntamente com dois outros cientistas franceses.
 

 

Segundo a pesquisa patrocinada pela Science et Vie, a tese de envenenamento por arsénico não se mantém. Ivan Ricordel, Pierre Chevallier e Georges Meyer analisaram cabelo de Napoleão, efectuando mais de 1.000 medições, cerca de 100 por cabelo espaçadas entre si por 0,5 mm.
 

 

Submetidas a radiação de sincrotrão, a ferramenta de análise da matéria mais sofisticada e mais potente que existe, os elementos químicos apresentados puderam ser identificados e a repartição do arsénico foi estabelecida com precisão ao longo do comprimento do cabelo.
 

 

Não houve intoxicação
 

 

Os cientistas concluíram que todas as amostras examinadas, cortadas em 1805, em 1814 ou em 1821 continham grandes doses de arsénico, em média entre 15 a 100 partes por milhão (ppm). Os valores superiores a 3 ppm são considerados anormais. No entanto, vários factos demonstram, segundo a revista, que não houve intoxicação por ingestão.
 

 

O arsénico está presente em todas as madeixas, recolhidas ao longo de um período de mais de quinze anos, e as doses são bastante homogéneas, repartidas sobre todo o comprimento do cabelo.
 

 

O arsénico será por isso de origem exógena, não tendo sido ingerido pelo Imperador. "A hipótese mais plausível continua a ser a utilização de produtos de conservação", afirmam os investigadores, notando que o uso de arsénico para conservar os cabelos era corrente no século XIX.
 

 

De acordo com os relatórios da autopsia e observações diárias do seu estado clínico, Napoleão morreu a 5 de Maio de 1821, com 51 anos de idade, devido a uma complicação aguda de um cancro gástrico.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

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