Não consegue deitar nada fora?

Área do cérebro pode explicar a mania de guardar coisas inúteis

13 janeiro 2005
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  A culpa de não conseguir desfazer-se de coisas sem qualquer valor ou utilidade, afinal está no cérebro.Uma equipa de cientistas da Universidade de Iowa, EUA, localizou uma região no lóbulo frontal que parece controlar esse comportamento. Segundo os cientistas, o hábito de guardar coisas que não usamos está ligado à Perturbação Obsessiva-Compulsiva, mas ainda não se sabe o que o desencadeia ou se é uma condição única.O estudo, publicado no jornal especializado Brain, salienta existir cada vez mais certezas de que tal comportamento tem o seu próprio mecanismo.A perturbação Obsessiva-Compulsiva encaixa-se num problema de ansiedade em que a pessoa é coagida _por medos irracionais ou determinados pensamentos _ a repetir acções. Pode manifestar-se em hábitos como lavar as mãos excessivamente, estar sempre a limpar a casa ou verificar alguma coisa constantemente.Mas algumas pessoas têm uma compulsão por guardar coisas – um hábito que vai além do comportamento de um coleccionador.Investigadores da Universidade da Califórnia já mostraram que as pessoas com esta patologia _ e que também acumulam coisas inúteis _ têm uma actividade cerebral diferente dos demais pacientes com a perturbação. Para entender melhor a causa desse comportamento, Steven Anderson e a sua equipa analisaram 13 pessoas que desenvolveram a compulsão após terem sofrido um dano cerebral.Os cientistas definiram o hábito como anormal quando este fosse extensivo: ou seja, quando as coisas guardadas não fossem úteis ou bonitas e se a pessoa não estivesse disposta a desfazer-se da sua colecção.Alguns dos pacientes, por exemplo, encheram as suas casas de correspondência inútil ou ferramentas partidas.Os cientistas avaliaram os pacientes _através de scanner aos cérebros _ e compararam-nos com outros 73 pacientes que sofreram danos mas que não apresentavam hábitos anormais. Anderson disse à BBC ter encontrado uma diferença óbvia. «Os danos na parte do lóbulo frontal do córtex, particularmente no lado direito, foram encontrados nos indivíduos com comportamento anormal». E acrescentou: «Nos doentes com perturbações obsessiva-Compulsiva e outras patologias, tais como esquizofrenia, Síndrome Tourette e certas demências, podem ter comportamentos patológicos análogos, mas não sabemos onde ocorre o problema dentro do cérebro.»Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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