Nanoterapia eficaz em ratinhos com mieloma múltiplo

Estudo publicado no “Molecular Cancer Therapy”

25 maio 2015
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Cientistas norte-americanos desenvolveram uma terapêutica à base de nanopartículas que demonstrou eficácia no tratamento de ratinhos com mieloma múltiplo.
 
O mieloma múltiplo é um tipo de cancro que afeta as células do plasma. Estas células fazem parte do sistema imunológico e produzem anticorpos para combater infeções. No mieloma múltiplo as células do plasma multiplicam-se descontroladamente na medula óssea, impedindo a formação de células saudáveis. Embora existam tratamentos para esta doença, a taxa de sobrevivência após cinco anos situa-se apenas nos 50%. 
 
Os denominados inibidores Myc são fármacos que bloqueiam a proteína Myc, que se encontra ativa em vários tipos de cancro, nomeadamente no mieloma múltiplo. Apesar de extremamente potente em experiências realizadas em placas de petri, este fármaco degrada-se de forma demasiado rápida para poder ter algum efeito sobre o cancro quando é injetado na corrente sanguínea em animais.
 
Este novo estudo, desenvolvido pela Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, EUA, demonstra que os inibidores Myc podem de facto ser eficazes no combate ao mieloma múltiplo em animais com esta doença, desde que o fármaco tenha um veículo que o transporte e proteja até chegar às células cancerígenas.
 
Os inibidores Myc são considerados fármacos promissores para o tratamento do mieloma múltiplo, porque desativam um gene necessário para a proliferação celular que atua tanto neste tipo de cancro como noutros, o que pode representar novas formas de tratamento para diversos tipos de doenças oncológicas.
 
Segundo Gregory Lanza, um dos autores do estudo, “as nanopartículas servem como veículo que protege o fármaco do ambiente hostil do sangue”. Quando as nanopartículas se ligam às células cancerígenas, as membranas de ambas fundem-se, transferindo o fármaco para a célula maligna. Quando este se encontra seguro dentro da célula, procede à desativação da proteína Myc na célula cancerígena.
 
Na investigação realizada pelos cientistas norte-americanos, nanopartículas que transportavam inibidores Myc aumentaram a sobrevivência dos ratinhos com mieloma múltiplo até 52 dias. Ratinhos injetados com nanopartículas que não transportavam esse fármaco sobreviveram 29 dias. Nos casos de ratinhos injetados com inibidores Myc sem nanopartículas, não foram registados benefícios em termos de sobrevivência.
 
Apesar de atualmente existirem fármacos capazes de colocar pacientes com mieloma múltiplo em remissão e de prolongar esse estado, com este tipo de tratamento orientado com nanopartículas, os cientistas esperam conseguir eliminar vestígios da doença, para que esta não regresse.
 
Os investigadores alertam para o facto de esta tecnologia ainda se encontrar a alguns anos de poder ser testada em seres humanos, embora estejam otimistas em relação ao potencial desta técnica no futuro.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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