Nanorrobôs atingem tumores com precisão

Estudo publicado na revista “Nature Nanotechnology”

19 agosto 2016
  |  Partilhar:

Investigadores do Canadá desenvolveram nanorrobôs capazes de navegar na corrente sanguínea e administrar com precisão um fármaco às células tumorais, não afetando consequentemente os órgãos e tecidos circundantes, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Nanotechnology”.
 

Estes nanorrobôs, desenvolvidos pelos investigadores das universidades de Montreal e McGil, no Canadá, são constituídos por mais de 100 milhões de bactérias flageladas que se movem através do caminho mais direto e cuja força propulsora é suficientemente forte para “viajar” de forma eficaz e entrar no interior dos tumores.
 

Quando entram no tumor, estes agentes são capazes de detetar de uma forma completamente autónoma as áreas tumorais sem oxigénio, conhecidas como zonas hipóxicas, e administrar o fármaco. Estas zonas hipóxicas são criadas através do consumo substancial de oxigénio pela rápida proliferação das células tumorais. Contudo, estas zonas são resistentes à maioria das terapias, incluindo a radioterapia.
 

Para se deslocarem, as bactérias, utilizadas pelos investigadores liderados por Sylvain Martel, baseiam-se em dois sistemas naturais. Estes incluem uma espécie de bússola criada pela síntese de uma cadeia de nanopartículas magnéticas que lhes permite moverem-se na direção do campo magnético e um sensor que mede as concentrações de oxigénio de forma a atingirem e a permanecerem nas regiões ativas do tumor.
 

Através da utilização destes dois sistemas de transporte e ao expor as bactérias a um campo magnético controlado por computador, o estudo demonstrou que estas bactérias poderiam replicar perfeitamente nanorrobôs artificiais concebidos para este tipo de tarefa.
 

Sylvain Martel referiu, em comunicado de imprensa, que esta utilização inovadora de nanotransportadores terá impacto não apenas na criação de conceitos de engenharia mais avançados e métodos de intervenção originais, como também abre a porta à síntese de novos veículos para a terapêutica, imagem e agentes de diagnóstico.
 

“A quimioterapia que é tão tóxica para todo o corpo humano, pode utilizar estes nanorrobôs naturais para transportar fármacos diretamente para a área alvo, eliminando os efeitos secundários prejudiciais enquanto também aumenta a eficácia terapêutica”, concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.