Nanopartículas impedem progressão de esclerose múltipla

Estudo publicado na “Nature Biotechnology”

21 novembro 2012
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Investigadores americanos utilizaram nanopartículas revestidas de proteínas para impedir o ataque do sistema imunológico e parar a progressão da esclerose múltipla recidivante remitente, refere um artigo publicado na “Nature Biotechnology”.
 

A esclerose múltipla é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca a proteína mielina, que protege as fibras nervosas do cérebro, espinal medula e olhos. Quando este isolamento é destruído, os sinais elétricos não podem ser eficazmente conduzidos o que resulta no aparecimento de sintomas que podem variar desde adormecimento das extremidades à cegueira. Cerca de 80% dos pacientes com esclerose múltipla são diagnosticados com a forma recidivante remitente da doença.
 

Neste estudo os investigadores da Northwestern University Feinberg School of Medicine, em Chicago, EUA, utilizaram nanopartículas biodegradáveis revestidas de proteínas de mielina ou também denominados por antigénios para “enganar” o sistema imunológico. Estas nanopartículas foram injetadas intravenosamente nos ratinhos atingindo o fígado, um órgão que ajuda na remoção de células sanguíneas envelhecidas ou mortas.
 

Uma vez no fígado, estas partículas são ingeridas pelos macrófagos, um tipo de leucócitos, que digere patogénios ou partículas estranhas e que os apresentam a outras células do sistema imunológico. Contudo, neste caso o sistema imunológico encara estas nanopartículas como uma célula sanguínea morta ou algo com que não se têm que preocupar. Desta forma cria-se imunotolerância às proteínas de mielina através da inibição direta dos linfócitos T, que respondem à presença da mielina.
 

Os autores do estudo verificaram que a administração das nanopartículas aos ratinhos impediu recaídas durante um período de 100 dias, o que é equivalente a vários anos na vida de um paciente com esclerose múltipla.
 

Os investigadores explicam que uma grande vantagem deste tipo de terapia reside no fato desta, ao contrário dos atuais tratamentos, não suprimir todo o sistema imunológico. Em vez disso este novo tratamento induz uma tolerância seletiva o que faz com que sistema imunológico deixe de considerar a mielina como um agente invasor e pare de a atacar.
 

“A beleza deste tipo de tratamento é que pode ser utilizado em várias doenças imunológicas, é necessário apenas alterar o tipo de antigénios associados às nanopartículas”, revelou em comunicado um dos autores do estudo, Stephen Miller. Atualmente os investigadores estão a testar a utilização deste tipo de nanotecnologia para tratar a diabetes tipo 1 e doenças que atingem as vias respiratórias, como a asma.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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