Na luta, ser canhoto é uma vantagem

Cientistas explicam porque razões os esquerdinos são melhores

14 junho 2005
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Embora a violência física não seja uma prática aplaudida, a verdade é que, neste domínio, ser canhoto é uma vantagem.
 

 

Os esquerdinos são melhores quando se trata de violência física, o que pode explicar a sua sobrevivência, segundo um estudo da Universidade de Montpellier, França, publicado na revista especializada Proceedings B.
 

 

Os cientistas franceses acreditam que essa vantagem seria a explicação para a existência dos canhotos na sociedade actual, mesmo com um maior risco de contrair algumas doenças.
 

Segundo a equipa que participou do estudo, quem usa naturalmente o lado esquerdo tem mais vantagem em desportos como esgrima, ténis e basebol.
 

 

Os cientistas dizem ainda que esses desportos são «casos especiais de luta – com regras rígidas, incluindo a proibição de matar ou magoar intencionalmente o rival». No entanto, esse facto levou-os a especular se os canhotos também teriam vantagem em contextos mais agressivos, como guerras, e, por isso, sociedades mais violentas teriam uma maior incidência de canhotos.
 

 

Os investigadores analisaram dados de oito grupos tradicionais de países como a República Dominicana, Camarões, Burkina Fasso, Gabão e Papua Nova Guiné. Depois, compararam as taxas de homicídios com a quantidade de canhotos presentes na população.
 

 

O grupo analisado em Burkina Fasso tinha uma taxa de homicídio equivalente a um morto em cada 100 mil pessoas e apenas três por cento de canhotos. Ao invés, o grupo de Papua Nova Guiné tinha cerca de três homicídios em cada mil pessoas e uma taxa de esquerdinos de 20 por cento.
 

 

«A vantagem dos canhotos na luta é a mesma que se vê em jogadores de ténis, basebol e criquete», disse à BBC o líder do estudo, Chris McManus, professor de psicologia da Universidade College London.
 

 

McManus diz não acreditar, porém, que essa força de combate garanta a sobrevivência dos canhotos na sociedade. «A explicação deve ser mais complexa que isso», argumentou.
 

 

O professor afirma que a explicação mais plausível da sobrevivência dos canhotos seja a de que as sociedades precisam de pessoas com qualidades e capacidades diferentes. O especialista também acrescentou que o estudo realizado pela universidade francesa analisou muito poucas pessoas, o que pode prejudicar as conclusões.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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