Na busca de melhores antídotos

Estudo liderado por investigador da Universidade do Porto

25 junho 2012
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Uma equipa de investigadores internacionais, liderada por Agostinho Antunes, está a estudar a variação dos venenos em répteis para "conhecer melhor" como evoluem as moléculas envolvidas no veneno e desta forma conseguir produzir antídotos "mais eficientes" contra os seus efeitos.

 

Todos os anos, milhares de pessoas morrem a nível mundial da mordedura de animais venenosos, o que acentua a importância do estudo de venenos, tanto em países desenvolvidos como em países subdesenvolvidos.

 

A variação da composição bioquímica dos venenos naturais produzidos é elevada, mesmo em indivíduos da mesma espécie, o que dificulta a produção de antivenenos.

 

Agostinho Antunes e o indiano Kartik Sunagar, do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), da Universidade do Porto, fazem parte da equipa internacional de cientistasque estudam os genes que codificam as proteínas CRISP, glicoproteínas exclusivamente encontradas nos animais vertebrados e associadas a funções diversas, como a reprodução em mamíferos e a produção de venenos em répteis venenosos.

 

De acordo com Agostinho Antunes, o principal objetivo do estudo foi "conhecer a variação dos venenos naturais, nomeadamente em cobras e em outros animais".

 

A principal vantagem do estudo é conseguir "uma informação adicional para o desenho de antídotos mais eficientes, também chamados antivenenos, que permitem salvar vidas humanas", explicou o investigador à agência Lusa.

 

O estudo, realizado no CIIMAR e no Instituto Nacional do Cancro, nos EUA, analisou répteis venenosos, nomeadamente cobras e lagartos, e mamíferos, uma vez que a proteína está envolvida também na reprodução em mamíferos.

 

"O estudo dos genes que codificam as proteínas CRISP em répteis venenosos revelou que esses genes são altamente influenciados pela seleção natural positiva, o que causa grande variação das proteínas produzidas, mais nas cobras do que nos lagartos venenosos", refere a investigação publicada na "Molecular Biology and Evolution".

 

Por contraste, as proteínas CRISP nos mamíferos, envolvidas na reprodução, possuem muito pouca variação, pois são influenciadas por seleção purificadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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