Mutações genéticas podem ajudar a reduzir gordura no sangue?

Estudo publicado na "New England Journal of Medicine"

29 maio 2017
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Um grupo de investigadores desenvolveu uma estratégia de redução de gordura no sangue que poderá potencialmente prevenir doenças das artérias coronárias, e outras causadas pela acumulação dessa gordura e outras substâncias, nas paredes das artérias.
 
A nova abordagem, que consiste num anticorpo injetável, foi criada com base nos achados de dois novos estudos conduzidos por investigadores da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia, EUA.
 
A estratégia consiste em incidir sobre uma proteína conhecida como ANGPTL3, que regula as enzimas que removem os triglicerídeos e outras moléculas de gordura do sangue. Estudos recentes sugeriram que as mutações hereditárias no gene ANGPTL3 que removem a sua função podem fazer diminuir os triglicerídeos e os níveis de colesterol LDL e HDL.
 
A equipa estudou a proteína ANGPTL3 em ratinhos e em humanos. Como resultado, descobriram que o bloqueio da atividade da proteína ANGPTL3 com um anticorpo injetável conhecido como evinacumab, que se encontra em investigação, fez reduzir os triglicerídeos em até 76% e baixar o colesterol LDL em 23% em humanos; nos ratinhos reverteu sinais de aterosclerose.
 
Os investigadores incluíram ainda um estudo sobre genética humana que envolveu cerca de 188.000 indivíduos, o qual apurou que quem possuía mutações que desativavam a ANGPTL3 sofriam menos incidentes de doença das artérias coronárias do que os indivíduos com ANGPTL3 totalmente ativa.
 
“É muito encorajador ver que as pessoas com este defeito genético parecem realmente protegidos da doença cardíaca. Acho que isso é um bom prenúncio de uma terapia que incide sobre a via da ANGPTL3”, comentou Richard Dunbar, docente de Medicina Cardiovascular naquela Escola de Medicina e coautor do estudo.
 
Noutro estudo da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, da Escola de Medicina de Harvard, da Universidade de Washington e outras nove instituições, foram feitas descobertas semelhantes.
 
O estudo que envolveu um grupo elevado de pessoas, apurou que quem possuía mutações que inativavam a proteína ANGPTL3 apresentavam um índice 34% inferior de terem doença arterial coronária em comparação com quem não possuía essas mutações. 
 
O próximo passo será avaliar o evinacumab relativamente à sua segurança, eficácia e dosagem ideal em ensaios clínicos de grande escala. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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