Mutações genéticas associadas à leucemia são inevitáveis com o envelhecimento

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

03 março 2015
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As mutações genéticas associadas à leucemia são quase impossíveis de evitar à medida que se envelhece, revela um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 
Os investigadores do Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido, contaram com a participação de 4.219 indivíduos sem qualquer evidência de cancro do sangue. Foi estimado que mais de 20% das pessoas entre os 50 e os 60 anos e mais de 70% daquelas com mais de 90 anos apresentavam células sanguíneas com as mesmas alterações genéticas encontradas na leucemia.
 
Os investigadores começaram por investigar os estádios iniciais do desenvolvimento do cancro utilizando um método capaz de detetar as mutações de ADN presentes em cerca de 1,6% das células sanguíneas, de forma a analisar 15 locais no genoma que são conhecidos por estarem alterados na leucemia.
 
Ao compararem os resultados com outros conseguidos noutros estudos com menor grau de sensibilidade, os investigadores concluíram que a incidência de células pré-leucémicas na população geral é muito mais elevada do que o anteriormente pensado e aumenta drasticamente com a idade.
 
“A leucemia resulta de uma acumulação gradual de mutações de ADN nas células estaminais sanguíneas num processo que demora décadas. Com o tempo, a probabilidade de as células adquirirem mutações aumenta”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Thomas McKerrell.
 
Contudo, o que mais surpreendeu os investigadores foi o facto de terem encontrado estas mutações numa grande proporção de indivíduos idosos. ”Este estudo ajuda a explicar como o envelhecimento conduz à leucemia, mesmo que a grande maioria das pessoas não viva tempo suficiente para acumular todas as mutações necessárias para o desenvolvimento da doença”, acrescentou o investigador.
 
As mutações pré-leucémicas estudadas parecem dar uma vantagem de crescimento às células portadoras e isto inicia um processo no qual as células com estas mutações dominam no sangue. À medida que elas aumentam em número, a probabilidade de uma ou mais adquirirem as mutações é maior, conduzindo eventualmente à leucemia e a doenças semelhantes.
 
O estudo apurou ainda que as mutações que afetam dois genes específicos, o SF3B1 e SRSF2, aparecem exclusivamente nos indivíduos com 70 anos. Isto sugere que estas mutações apenas têm uma vantagem de crescimento mais tarde na vida, onde há uma menor competição. Este achado explica por que motivo as síndromes mielodisplásicas, um grupo de condições semelhantes à leucemia e associadas a estes genes, aparecem quase exclusivamente nos idosos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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