Mutações aleatórias responsáveis por dois terços dos cancros

Estudo publicado na revista “Science”

05 janeiro 2015
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Um novo estudo sugere que, embora um terço dos cancros possa estar associado à hereditariedade e a fatores ambientais, os restantes dois terços poderão ser causados por mutações aleatórias nas células.

 

No âmbito deste novo estudo, conduzido pelo Johns Hopkins Kimmel Cancer Center, EUA, foi criado um modelo estatístico para medir a proporção da incidência de cancro. Segundo aquele modelo, dois terços dos casos de doença oncológica em adultos devem-se a “má sorte”, caso aquelas mutações aleatórias nas células tronco tiverem decorrido em genes suscetíveis de desencadear o desenvolvimento de cancro.

 

As células tronco regeneram e substituem as células que morrem. Se cometerem erros aleatórios e mutações durante a divisão celular, poderão originar-se problemas do foro oncológico. Quantos mais erros acontecerem, maiores se tornam as probabilidades de as células se desenvolverem de forma descontrolada e surgir cancro.

 

Bert Vogelstein, docente de oncologia na Escola de Medicina da Johns Hopkins University e coautor do estudo, explica que a adoção de um estilo de vida pouco saudável ajuda à tal “má sorte” no desenvolvimento de doenças oncológicas. Contudo, “a longevidade livre de cancro em pessoas expostas a agentes causadores de cancro, como o tabaco, é frequentemente atribuída aos seus ‘bons genes’; mas, na verdade, a maioria teve simplesmente boa sorte”.

 

Para o estudo, os investigadores analisaram estudos relativos a índices de divisão de células tronco em 31 tipos de tecido humano e compararam esses índices ao risco de se desenvolver cancro naquelas áreas do corpo ao longo da vida.

 

A equipa não conseguiu reunir dados relativos a alguns cancros principais, como o da mama e próstata, devido à falta de estudos sobre o índice de divisão de células tronco nessas áreas.

 

Os investigadores calcularam que 22 tipos de cancro poderiam ser explicados por mutações aleatórias que ocorrem durante a divisão celular. As outras nove formas de cancro foram mais associadas a uma combinação de “má sorte” e fatores hereditários e ambientais. As áreas do corpo onde ocorre uma maior divisão de células tronco foram associadas a um risco de cancro acrescido, como é o caso do cancro do cólon.

 

O novo modelo desenvolvido poderá levar à alteração da perceção dos fatores de risco do cancro e da atribuição de fundos para a pesquisa na área da oncologia. Cristian Tomasetti, professor assistente de oncologia na Escola de Medicina daquela universidade, conclui que “a mudança do nosso estilo de vida e hábitos será uma ajuda enorme na prevenção de alguns cancros mas isto poderá não ser eficaz para uma variedade de outros (cancros) ”. Por isso, o investigador considera que “devíamos alocar mais recursos à procura de formas de detetar aqueles cancros em estádios iniciais e curáveis”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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